Geral Segurança Pública
Piauí tem quase 50% de aumento no número de desaparecidos
Relatório divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta quinta-feira (20) reúne dados relacionados à violência no estado.
20/07/2023 10h34
Por: Redação RI Fonte: G1 Piauí
Em Teresina, casos são registrados na Divisão de Desaparecidos do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) — Foto: Lívia Ferreira

O número de desaparecimentos no Piauí aumentou mais de 49% entre 2021 e 2022. Os dados foram divulgados pela Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), nesta quinta-feira (20). Em 2021, 319 pessoas foram consideradas desaparecidas. Já em 2022, o número chegou a 480.

O relatório divulgado pelo FBSP nesta quinta-feira (20) reúne dados diversos, como o número de mortes violentas, crimes de ódio e contra o patrimônio.

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Conforme o levantamento, podem ser registrados como desaparecidos aqueles que optaram por romper vínculos com família e amigos; que se perderam por questões de saúde mental; vítimas de acidentes ou desastres naturais; de sequestros; ou de desaparecimento forçado pela ação de agentes estatais.

Entre 2019 e 2021, o órgão constatou que 62,8% dos desaparecidos eram homens, 29,3% jovens entre 12 a 17 anos e 54,3% negros. A taxa média de adolescentes desaparecidos, 84,4%, é quase 3 vezes superior à média nacional, de 29,5%.

Em março deste ano, o Governo do Piauí, por meio da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP), anunciou a criação de um protocolo para crianças e adolescentes desaparecidos. A iniciativa conta com parceria do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Estado do Piauí e da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Piauí (OAB-PI).

Em todo o Brasil, 74.061 pessoas desapareceram em 2022, uma média de 203 desaparecimentos diários. O FBSP afirma, no entanto, que não é possível dizer se as pessoas localizadas em 2022 desapareceram no referido ano ou em períodos anteriores.

“Em 2022 os números retornam ao padrão pré-pandemia [da Covid], uma vez que as medidas de lockdown não mais se aplicam e a circulação de pessoas não se restringe às atividades essenciais, fator que pode ter impulsionado o aumento no número de registros”, apontou o órgão.

Quanto aos registros de localização, 21 pessoas foram localizadas em 2021 e 25 em 2022.

“A lei 13.812/19, para além da criação do Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, precisa garantir a cooperação entre autoridades federais e estaduais para o compartilhamento e integração dos sistemas de informação dos órgãos públicos, além de orientar e adotar um procedimento padrão no preenchimento dos registros de ocorrência, que precisam conter o máximo de detalhes capazes de individualizar a pessoa desaparecida", indicou o Fórum.

O órgão reforça a necessidade capacitação de agentes policiais para o bom preenchimento e condução adequada de registros de ocorrência, desde o acolhimento das famílias cujo ente está desaparecido, até a conclusão do caso.