Polícia Dados alarmantes
Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta explosão de estelionatos no País
País registrou crescimento de 326,3% no número de estelionatos comuns nos últimos quatro anos, enquanto crimes patrimoniais caíram.
21/07/2023 10h15
Por: Redação RI

O número de registros do crime de estelionato foi de 1.819.409 casos em 2022, o que significa um crescimento de 326,3% em quatro anos nessa modalidade, aponta a 17ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada na manhã desta quinta-feira, em São Paulo. Em relação a 2021, a elevação foi de 38%, o que indica uma média de 208 golpes a cada hora no Brasil.

O expressivo aumento dos casos de estelionato consolida uma nova dinâmica criminal, já esboçada nos primeiros meses da pandemia, em que criminosos migram das práticas comuns, e que envolvem mais risco, para o cometimento de crimes a partir de ambientes virtuais. Prova disso é que não foram apenas os números de estelionatos que aumentaram no período, mas também o número de roubos ou furtos de celulares (999.223), o que franqueia acesso a dados pessoais e financeiros. Ao mesmo tempo, outros registros de crimes contra o patrimônio caíram no período, taxa dos roubos a instituições financeiras (-21,9%), a estabelecimentos comerciais (-15,6%), a residências (-13,3%), de cargas (-4,4%) e a transeuntes (-4,4%).

Continua após a publicidade

“Os estelionatos cresceram muito ao longo dos últimos anos pela facilidade que esse crime oferece. O problema é que os golpes virtuais não respeitam fronteiras e podem gerar grandes ganhos financeiros, o que afeta as pessoas atingidas e as próprias polícias, que não estão ainda preparadas para enfrentar esse tipo de situação”, observa Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Essas novas modalidades criminais exigem maiores investimentos na Polícia Civil, que está sem concursos há vários anos, e que muitas vezes dispõe de pessoal mais velho e sem formação técnica para enfrentar casos que envolvem tecnologias de última geração. Isso dificulta muito o combate aos crimes virtuais”.