O trabalho infantil registrou um crescimento entre os anos de 2019 a 2022, no Brasil. A informação foi revelada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a qual apontou que a pandemia de covid-19, o abandono escolar, a redução da efetividade de políticas do governo brasileiro de proteção social e a descontinuidade de algumas ações federais resultaram nesse retrocesso.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua sobre o Trabalho de Crianças e Adolescentes, divulgada na última quarta-feira (20), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que 1,9 milhão de crianças e adolescentes com 5 a 17 anos (ou 4,9% desse grupo etário) trabalhavam ilegalmente, no Brasil. Os dados referentes informações apuradas em 2022.
Para O diretor do Escritório da OIT no Brasil, Vinícius Carvalho Pinheiro; a pandemia resultou em uma espécie de tempestade, cuja consequência foi um déficit na renda das famílias brasileiras, além do abandono escolar e ausência da elaboração de políticas públicas.
“Houve um aumento da deserção escolar relacionado, em especial, a políticas de confinamento, com o difícil acesso à educação, e isso fez com que as crianças ficassem mais em casa e fossem enviadas ao mercado de trabalho. E também contribuiu para isso uma desarticulação das políticas públicas relacionadas com esse termo”, diz.
Especialistas afirmam que o resultado do levantamento já era esperado e não casou surpresa. A pandemia impactou domicílios que vivenciam situações de vulnerabilidade social, intensificando a participação de crianças e adolescentes em situações de trabalho infantil.
“Havia uma ideia por parte de pesquisadores e especialistas do tema, que o impacto da pandemia sobre domicílios de maior vulnerabilidade, de famílias mais pobres, pudesse ter como um dos efeitos a intensificação da participação de crianças e adolescentes na situação de trabalho infantil. E de fato, os dados confirmaram essa análise ou essa previsão, muito baseados no impacto relacionado à precariedade dos domicílios de mais baixa renda”, explica a coordenadora das Pesquisas por Amostragem do IBGE, Adriana Beringuy, responsável pela divulgação dos dados em Brasília.