A Prefeitura de Porto Alegre não investiu um centavo de real sequer em prevenção a enchentes em 2023. A situação ocorre mesmo com o departamento que cuida da área tendo lucro de R$ 428,9 milhões em caixa. Procurada, a assessoria do prefeito Sebastião Melo (MDB) não se manifestou.
O que aconteceu
Até chegar a R$ 0, o investimento para prevenção a enchentes caiu dois anos seguidos em Porto Alegre. O orçamento tem um item chamado "Melhoria no sistema contra cheias", que recebeu zero recurso ano passado.
Gastos por ano
2021 - R$ 1.788.882,48 (R$ 1,7 milhão)
2022 - R$ 141.921,72 (R$ 141 mil)
2023 - R$ 0
Os dados foram retirados do Portal da Transparência de Porto Alegre. O UOL questiona a prefeitura sobre o assunto desde domingo (5), mas ainda não obteve resposta.
Dinheiro em caixa
Apesar da falta de investimentos, há dinheiro disponível. O DMAE (Departamento Municipal de Águas e Esgotos), responsável por cuidar da gestão desta área, está com caixa cheio.
O DMAE tem 428.923.326,51 (R$ 428,9 milhões) no chamado "ativo circulante". Esta expressão representa os bens de maior liquidez de uma empresa, ou seja, que podem ser convertidos em dinheiro em até 12 meses.
Além disso, o departamento teve um lucro milionário ano passado. Enquanto o gasto com proteção contra cheias foi zero, o resultado patrimonial apresentou superávit de R$ 31.176.704,80 (R$ 31,1 milhões), informa trecho do balanço do DMAE.
Os valores citados nesta reportagem constam da demonstração contábil de 2023. Este é o documento mais atualizado sobre a situação financeira do departamento responsável por prevenir enchentes em Porto Alegre.