
Ônibus lotados, veículos saindo fora do horário correto e desorientação. É esta a realidade de quem teve que se deslocar na Zona Norte de Teresina, onde a integração do transporte coletivo começou a funcionar no final de semana. Há dois dias em operação, o Sistema Inthegra da Prefeitura foi verdadeiramente testado hoje (02), primeiro dia útil do mês, no terminal Rui Barbosa.
A estrutura do terminal conta com 20 veículos nas linhas troncais – que fazem o percurso terminal-centro – e com 18 veículos nas linhas alimentadores – que fazem o percurso bairro-terminal. Mas mesmo assim, o que se viu foram veículos lotados e não conseguindo atender à demanda da população no horário de pico, entre as 7h e as 9h da manhã.
A desinformação e as dúvidas já começam no momento de acessar o terminal. É que só pode entrar nas plataformas quem tiver os cartões do Sistema Inthegra, mas muitos dos usuários que chegaram ao local não conseguiam passar nas catracas porque estavam sem o passe da bilhetagem eletrônica (cartão de integração e estudantil). Existe um posto do Setut no terminal para compra e recarga do cartão, no entanto os profissionais que trabalham nele disseram que precisam se dividir entre as vendas e tirar dúvidas da população.
O tempo de espera também é outro problema. É que a quantidade de ônibus não está conseguindo atender à demanda e os veículos lotados acabam saindo antes do horário previsto para que o fluxo de embarques não seja prejudicado. Edimar Santos, fiscal de ônibus do terminal, explica.
“A demanda de passageiros é muito grande e ele [o carro que vai para o centro] acaba saindo lotado, porque vem muita gente dos bairros. Ainda tem o trânsito. Se um veículo chega, eu mando sair antes do horário, porque lotou, senão não dá para cumprir o horário da prefeitura. Tem que ir mandando antes pra agilizar. E agora, porque saíram no horário de pico, está faltando carro, então tem que esperar chegar pra seguir o fluxo”.
Além da espera, a desorientação também impera. É que muitos dos usuários não sabem que ônibus pegar para se deslocar até o centro. Eles alegam não conhecerem os novos percursos nem saberem quais as plataformas em que devem ficar para aguardar os veículos.
É o caso de Cledilson Fernandes, 28 anos. Ele pegava a linha Poti Velho-Bela Vista para ir para o trabalho, na Avenida Barão de Gurgueia e agora disse não saber como fará o mesmo percurso. “Disse que essa linha vai acabar. Pelo visto vou ter que pagar duas passagens, pegar dois ônibus, ainda não sei”, diz.
Quem também reclamou da falta de informação foi a senhora Francisca Alves de Almeida, que classificou o sistema de integração como “baixaria”. Para ela, não havia necessidade de se pegar dois ônibus para se deslocar entre bairros da mesma zona. “Daqui para o Parque Brasil, não era para ter integração. Eu pegar dois carros para ir pra minha casa? Isso é palhaçada”, disparou.
Dificulta ainda mais a situação o fato de que o terminal ainda não conta com os horários dos ônibus estampados e visíveis aos usuários. A expectativa é que em 15 dias, os painéis sejam configurados e comecem a funcionar.
Enquanto isso, representantes da Strans se encontram no terminal para esclarecer as dúvidas dos usuários e dar eventuais orientações. Luiz Neto, gerente de transporte da Superintendência explica que a principal dúvida é justamente sobre o deslocamento para o Centro. “Não sabem qual ônibus vai pela Centenário, pela Rui Barbosa ou pela Praça da Bandeira e nós estamos aqui para orientar. Temos nove agentes da Strans e também o pessoal do ‘Posso Ajudar’ e do consórcio.


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