Internacional Em descrédito
Palavra de Trump perde credibilidade no mercado
Ontem, o presidente americano enviou cartas a 14 países anunciando o aumento de tarifas, ao mesmo tempo que
08/07/2025 09h45
Por: Redação RI Fonte: Coluna da Amanda Klein
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump • 12/06/2025 - REUTERS/Nathan Howard

"O mercado está calejado das falas de Trump", resume Luan Aral, trader da Genial Investimentos. "É o efeito TACO (acrônimo para 'Trump Always Chickens Out' ou Trump sempre amarela). Ele fala de forma agressiva, cobra tarifas excessivas e depois acaba voltando atrás", analisa.

Ontem, o presidente americano enviou cartas a 14 países anunciando o aumento de tarifas, ao mesmo tempo que estendeu o prazo para acordos comerciais até 1 de agosto. Produtos importados de Japão e Coreia do Sul, por exemplo, pagarão taxas de 25% se não houver entendimento com os Estados Unidos até lá. Outras, como Laos e Mianmar, ficarão na banda superior: 40%. Até agora Trump só anunciou acordos com Reino Unido e Vietnã, além de uma trégua com a China.

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Para Roberto Padovani, economista-chefe do BV, é a lógica populista de enfrentamento contínuo. "Acho que é antes uma demonstração de força para o eleitor americano. Mas também é sua estratégia já conhecida de negociação bruta".

Bruno Imaizumi, economista da LCA 4intelligence, ressalta que "não voltaremos ao cenário de antes, mas deve ter maior volatilidade nos mercados até a possível reversão de tarifas. De qualquer forma, afeta mercado e a economia".

Marcelo Farias, head de renda variável da Onfield Investimentos, é mais cauteloso: "a escalada do tom de Trump e o anúncio das tarifas contra Japão e Coreia do Sul reacendem os fantasmas do protecionismo, trazendo de volta um ambiente de incerteza que havíamos deixado um pouco de lado nos últimos meses.

Esse tipo de medida tem duplo impacto: por um lado, pode gerar inflação via aumento de custos de importação. Por outro, reduz previsibilidade para empresas e investidores globais". No curto prazo, o mercado deve reagir com maior aversão ao risco. "Podemos ver pressão negativa nas bolsas, especialmente em setores ligados ao comércio global e tecnologia, além de uma valorização do dólar frente a moedas emergentes, como o real, dada a busca por proteção", conclui.

Aral ressalta que, ainda assim, o dólar no Brasil tem piso de R$ 5,35, o que deve ser atingido nos próximos dias. Mesmo que haja valorização momentânea do dólar devido às incertezas criadas pelo tarifaço de Trump. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos é muito grande, o que atrai capital estrangeiro para cá.