Geral Tribunal do Júri
Homem filmado esfaqueando ex-mulher 8 vezes é condenado a 10 anos de prisão
A vítima estava na porta do local onde trabalhava quando foi surpreendida pelo réu. O crime foi cometido em dezembro de 2023.
19/11/2025 09h24
Por: Redação RI Fonte: G1 Piauí
Homem desce de carro e esfaqueia mulher diversas vezes em Teresina — Foto: Reprodução

Eduardo Alves da Luz, réu por esfaquear oito vezes a ex-mulher Joana Darck Alencar, foi condenado na terça-feira (18) a 10 anos de prisão por tentativa de homicídio qualificado. O crime foi cometido na avenida principal do bairro Parque Piauí, Zona Sul de Teresina, em 7 de dezembro de 2023, e registrado por uma câmera de segurança.

Segundo o advogado de Eduardo, Antônio Dario Nogueira, o júri popular considerou o réu culpado pela tentativa de homicídio com a qualificadora de feminicídio — pois o crime aconteceu antes da lei que tornou o feminicídio um crime autônomo, sancionada em outubro de 2024.

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A defesa afirmou que vai recorrer da decisão para reduzir a pena, já que Eduardo não tem antecedentes criminais e está preso há dois anos na Cadeia Pública de Altos, onde presta serviços.

"Houve falta da intenção de matar, foi só lesão corporal de natureza leve de acordo com o laudo do médico legista. Não houve perfuração profunda e ela não correu risco de morte em nenhum momento. Ele poderia ter consumado o crime, mas desistiu voluntariamente", disse o advogado.

A mãe de Joana esteve presente no julgamento e contou que a filha se mudou para outro estado, há um ano, após sofrer com intensas crises de pânico.

“A minha filha, de vez em quando, lá longe, liga para mim e diz que não está bem. Ela ainda hoje passa mal, ainda fica naquele pânico. Eu quero justiça, só quero que ele pague por tudo, porque ela é a minha única filha e hoje vivo separada dela por causa dele”, disse a mulher.

A filha, os primos e outros parentes de Joana também estiveram presentes no julgamento, que se estendeu até a noite de terça.

Prisão e investigação

Eduardo foi preso em 12 de dezembro de 2023, cinco dias após a tentativa de homicídio contra Joana. Ele se apresentou ao Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de Teresina.

Segundo a delegada Nathália Figueiredo, da Delegacia de Feminicídio do DHPP, a vítima vivia um relacionamento abusivo com o réu. Ela denunciou o ex-marido duas vezes depois de ter sido agredida, mas ele não atendeu à convocação da polícia.

Em depoimento, uma colega de trabalho de Joana relatou que a mulher já havia contado que vivia um relacionamento abusivo e havia se separado. A amiga não presenciou o crime, mas foi a responsável por levar a vítima até o hospital.

Segundo ela, Joanna estava ensanguentada e dizia estar com medo de morrer.

"Ela vivia um contexto totalmente de abusividade. A vítima não tinha nem aparelho celular porque ele não queria que ela tivesse contato com rede social, então você vê o abuso que essa mulher vivia", disse a delegada.