Temporadas eleitorais são propícias para lembrar os esqueletos que os candidatos guardam no armário. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Flávio Bolsonaro expôs suas versões sobre um par de ossadas que assombram sua campanha: a rachadinha e a vinculação com milicianos. Suas alegações partem da premissa de que a plateia é boba.
Flávio jogou a rachadinha no colo do PM Fabrício Queiroz. Ex-faz-tudo da família Bolsonaro, Queiroz confessou que mordia parte dos salários de assessores de Flávio na Alerj, a Assembleia do Rio. "Jamais tinha conhecimento disso", alegou Flávio. Foi como se pedisse ao país para tratá-lo como tolo, não como corrupto.
"Nunca respondi criminalmente por isso", afirmou Flávio, sem se dar conta de que o perigo da meia verdade é a tentação de realçar exatamente a metade que é mentira. Foi acusado em denúncia do Ministério Público de desviar R$ 6 milhões da folha da Alerj. Para blindar o filho, Bolsonaro interveio na PF, na Abin, na Receita e no Coaf. Por questões processuais, STJ e STF enterraram provas vivas.
Sobre sua relação com o PM Adriano da Nóbrega, morto numa troca de tiros com a polícia em 2020, Flávio disse que o conheceu quando ainda era um "policial operante", acusado injustamente de torturar e executar um guardador de carros. Na definição de Flávio, o "flanelinha" assassinado "era um traficante de drogas". Foi na cadeia que Flávio pendurou no pescoço de Adriano a Medalha Tiradentes, maior honraria do Legislativo do Rio.
Solto, Adriano tornou-se chefe do Escritório do Crime, organização miliciana de ex-policiais. "Ele tomou um caminho errado, e eu não posso ter responsabilidade", declarou Flávio, lembrando-se de esquecer que empregou no gabinete de deputado estadual a filha e a mãe do miliciano amigo. As versões de Flávio sobre os esqueletos da rachadinha e da milícia têm algo em comum: ambas são toscas.