Polícia Operação Chip Falso
Líder de grupo que clonava WhatsApp e invadia bancos é preso em Teresina
O esquema consistia em fraudes eletrônicas e invasões de sistema de telefonia por meio do SIM Swap.
20/08/2026 10h46
Por: Redação RI Fonte: Conecta Piauí
Foto: Reprodução/Polícia Civil

Lívio Fernando de Oliveira Sousa, conhecido como Lívio da Caverna, foi preso durante a segunda fase da Operação Chip Falso, na manhã desta quinta-feira (20/08), no bairro Três Andares, zona Sul de Teresina. Ele é apontado pela Polícia Civil como mentor e líder de um grupo especializado em fraudes eletrônicas e invasões de sistemas de telefonia, com prejuízo estimado em pelo menos R$ 500 mil.

Segundo as investigações do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), o grupo utilizava o golpe conhecido como SIM Swap, que consiste na transferência ilegal de linhas telefônicas de vítimas para chips controlados pelos criminosos. Com o acesso aos números, os integrantes conseguiam assumir contas e utilizar os dados das vítimas para praticar diferentes tipos de fraude.

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Entre as práticas investigadas está a clonagem de contas do WhatsApp. A partir do controle dos números, os criminosos conseguiam acessar os aplicativos de mensagens e aplicar golpes como o do falso parente e do falso advogado, além de utilizar as contas para tentar obter dinheiro das vítimas.

O esquema também teria permitido a invasão de contas bancárias, realização de transferências indevidas e compras fraudulentas com informações das pessoas atingidas. Para burlar os mecanismos de segurança das operadoras, os investigados utilizavam documentos falsificados, selfies biométricas manipuladas e imagens produzidas por inteligência artificial, em uma técnica conhecida como injeção de selfie.

De acordo com a Polícia Civil, Lívio era responsável por recrutar pessoas para fornecer dados biométricos. Pelo menos 120 indivíduos teriam entregado informações utilizadas pelo grupo na transferência de linhas telefônicas de clientes de diferentes regiões do país.

A investigação aponta ainda que o grupo atuava por meio da abordagem de pessoas em festas, onde eram oferecidos valores em troca do fornecimento de cadastros e da biometria facial. Uma residência localizada no bairro Monte Castelo teria sido utilizada inicialmente para atrair participantes. Mesmo após a identificação do imóvel pela polícia, os investigados teriam transferido as atividades para outro endereço e continuado a prática criminosa.

Lívio era considerado foragido e foi localizado pelos policiais em uma residência no bairro Três Andares. Segundo a investigação, ele não reagiu à abordagem. O suspeito é companheiro de Rosana Rodrigues da Silva, apontada como uma das principais articuladoras do esquema e presa após se apresentar à polícia em 30 de julho.

Rosana é ex-funcionária de uma empresa de telefonia e, conforme as investigações, teria utilizado conhecimentos e informações sobre os sistemas da operadora para auxiliar nas fraudes. Embora tenha afirmado em depoimento que foi utilizada pelo companheiro, a Polícia Civil afirma ter reunido elementos que indicariam a participação dela no grupo.

Ao todo, seis pessoas foram presas nesta segunda fase da operação, enquanto outros 16 alvos ainda são procurados. A primeira etapa da Chip Falso foi deflagrada em 15 de julho, quando foram cumpridas 30 ordens judiciais em Teresina, com dez prisões e apreensão de celulares e computadores.