
"Tenho duas versões", diz Gizelly Bicalho em certo momento de nossa entrevista. "Sou a advogada criminalista destemida e empoderada, e a menina frágil que convive com seus medos e angústias", acrescenta a capixaba. "Talvez eu tenha que deixar florescer mais o lado profissional na minha vida pessoal." Aos 28 anos, ela se define como uma "louca bem intencionada" e afirma que o Big Brother Brasil foi o "momento mais importante" de sua vida. "Mudei até o jeito de falar depois."
Participante pop da vigésima edição do reality show, Gizelly acreditava até sair da casa que "não era querida pelo público". "Sou insegura e tinha medo da rejeição. Foi uma surpresa descobrir que eu não era odiada nem vista como a vilã da história. Recebi mensagem incríveis do Brasil inteiro. Autoamor é um tema recorrente em minhas sessões de terapia. No passado, tive depressão e crises de pânico. Tenho tendência à autossabotagem. Não acho que sou boa o suficiente, sabe? Mas estou tentando confiar mais em mim."
Com uma postura assertiva no programa, a advogada é "grata" pelo "apoio" que ganhou dos telespectadores na "luta contra o machismo" de alguns participantes do BBB. "Vivemos numa sociedade misógina. Mostramos na TV a realidade, as situações que nós passamos no dia a dia. É preciso muita empatia, se colocar no lugar da outra. Fiquei feliz ao descobrir que o país estava com a gente, que tinha nos acolhido." A capixaba, no entanto, não quis assistir aos vídeos do reality. "Encaro como um universo paralelo. Não gostaria de ouvir o que foi dito sobre mim, por enquanto. Vamos viver o agora."
E o agora de Gizelly é isolada em sua casa no Espírito Santo. "Como posso ficar em quarentena, estou seguindo as instruções. Não estou pensando nas oportunidades que estou perdendo. Estou positiva e isso logo passará. Mas não paro um minuto. Faço mil reuniões diariamente por chamada de vídeo, brinco com meu cachorro, analiso processos que estão em andamento... Saí de um confinamento para outro, com a diferença que o primeiro, no BBB, foi voluntário", conta a moça, que foi fotografada por FaceTime para este ensaio. "A ideia era um editorial bem intimista e acabei me soltando. Nunca tinha feito foto sexy. Logo eu, uma mulher forte e empoderada. Não vi problema em aparecer de lingerie. É o meu corpo."
"Conversamos um pouco sobre nossas experiências para o clima ficar mais íntimo, e ela se sentir confortável comigo. Isso é fundamental. Ela é uma mulher animada, brincalhona e muito sensual. Gi diz que ainda está pegando o jeito da coisa, e eu digo que ela já tem", elogia o fotógrafo Antonio Kaio.
Com a poeira mais baixa, Gizelly agora traça metas para o futuro. A advocacia, por exemplo, continuará em seu caminho. "Mas não sei se quero voltar a atuar tão ativamente nesse ramo este ano. É uma profissão complicada. Já tive cliente que eu sabia que era inocente, não tinham provas suficientes contra ele e nem estava no lugar descrito no processo, mas mesmo assim foi condenado. Seletividade penal... O Estado escolhe o público que quer prender. Em comunidade, se prende mais do que em bairro nobre. Sozinha, já chorei inúmeras vezes por essas pessoas. Claro que a gente recorre, mas elas continuam presas. Mas não irei abandonar."


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