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Estados Unidos proíbem a entrada de passageiros vindos do Brasil

Medida foi tomada após país se tornar o 2º com maior número de casos de covid

Por: Redação RI Fonte: Uol
24/05/2020 às 21h32
Estados Unidos proíbem a entrada de passageiros vindos do Brasil
Jair Bolsonaro e Donald Trump em foto de março - Imagem: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP

Os Estados Unidos anunciaram hoje a proibição da entrada de estrangeiros vindos do Brasil em seu território. A medida é válida para viajantes que não são norte-americanos e foi tomada após o Brasil se tornar o segundo país com maior número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

Segundo secretária de imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany, as novas restrições visam garantir que estrangeiros não aumentem o número de infecções no país, que hoje é o mais afetado pela doença e tem 1.639.872 casos oficiais e 97.672 mortes, segundo a Universidade Johns Hopkins.

A decisão não afeta o fluxo comercial entre os países, e se baseia em avaliação do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos de que o Brasil "enfrenta uma transmissão generalizada e contínua de pessoa para pessoa".

"Não quero as pessoas vindo até aqui e infectando o nosso povo. E também não quero pessoas doentes lá. Estamos ajudando o Brasil com ventiladores... O Brasil está enfrentando problemas, não há dúvidas sobre isso." Donald Trump, presidente americano, sobre o Brasil.

A expectativa para o anúncio da medida começou na última terça após uma fala de Trump. Naquele dia, o Brasil tinha 271.885 casos e 17.983 mortes confirmadas. Neste domingo, o Ministério anunciou 363.211 casos confirmados e 22.666 óbitos em decorrência da doença.

A decisão vale para cidadãos não americanos que visitaram o Brasil nos últimos 14 dias, período de incubação do novo coronavírus. Portadores de green card, documento que garante residência permanente no país, familiares de norte-americanos e membros de tripulação dos voos poderiam ser exceções à regra.

Hoje, Robert O'Brien, um assessor do presidente Donald Trump já havia falado a uma emissora norte-americana sobre a possibilidade do veto, confirmado agora. "Esperamos que seja temporário, mas, devido à situação no Brasil, vamos tomar todas as medidas necessárias para proteger o povo americano", disse.

Os Estados Unidos já interromperam viagens a partir da China, Europa e Reino Unido à medida que o vírus se espalhava nessas áreas.

A decisão de proibir a entrada de viajantes vindo do Brasil começou a tomar forma na sexta, quando O'Brien já anunciara que muitas agências de seu país estavam analisando a situação brasileira.

Trump já havia falado sobre a crise no país

Em 28 de abril, o presidente americano já havia citado que considerava banir a entrada de pessoas vindas do Brasil em seu país. Em uma reunião com o governador da Flórida, Ron DeSantis, o republicano disse que o governo está "olhando muito de perto" para o assunto da testagem. O Brasil é um dos países que mais aplica testes em sua população no mundo.

"O Brasil tem praticamente um surto, como vocês sabem (...) se você olhar os gráficos você vai ver o que aconteceu infelizmente com o Brasil. Estamos olhando para isso bem de perto", disse Trump à época.

No mesmo dia, Jair Bolsonaro reagiu à possibilidade de veto: "Eu não concordo com nada nem discordo. O que ele [Trump] achar que tem que fazer no país dele, ele faz", disse.

Dois dias depois, o americano voltou a tratar do cenário brasileiro em coletiva de imprensa.

"Eu odeio dizer, mas o Brasil está muito alto, o gráfico está muito, muito alto. Lá em cima, quase vertical", afirmou o americano, que seguiu: "O presidente do Brasil é realmente um bom amigo meu, um ótimo homem, mas eles estão vivendo um momento muito difícil".

Durante entrevista à GloboNews na noite de hoje, o ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, comentou a decisão norte-americana reafirmando a gravidade da situação da pandemia no país:

"É difícil dizer o que passa na cabeça do presidente Trump, mas o Brasil entra naquela fase onde a doença está crescendo rápido. Por uma medida de segurança, ele pode estar fazendo isso. Como ele não sabe onde isso vai acabar, não sabe qual é o impacto, o Brasil hoje passa a ser um dos principais problemas em relação à covid. Eu acredito que ele veja nisso uma tentativa de proteger por não saber como o Brasil vai evoluir. Eu não consigo ver nada que seja diferente disso. A gente sabe que é grave, ninguém está achando que não é. É claro que é grave a situação".

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