
O embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster, disse que enxerga com otimismo a parceria entre os países independente do resultado das eleições americanas, que está sendo realizada hoje. Em entrevista ao jornal O Globo, Forster disse que a relação está baseada em valores comuns maiores do que preferências políticas.
Candidato à reeleição, Donald Trump está alinhado politicamente com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que manifesta publicamente sua torcida pelo republicano. Porém, pesquisas indicam favoritismo do democrata Joe Biden no pleito.
"Qualquer que seja o resultado, vejo com otimismo o futuro de nossa parceria. Nossos países estão unidos por valores fundamentais, como a liberdade, a democracia, o respeito aos direitos humanos, a economia de mercado, e têm uma agenda de trabalho densa, movida por ampla coincidência de interesses e com visão de longo prazo, que é a visão da diplomacia", disse Forster.
Segundo o embaixador, a relação entre os países "é marcada pela defesa do interesse nacional". Ele ainda disse que os resultados desde o início do governo Bolsonaro "falam por si mesmos".
"Alcançamos, recentemente, entendimentos para facilitar o comércio bilateral e promover aportes dos EUA no Brasil. Nossos países também vêm estreitando a cooperação em áreas intensivas em tecnologia, como defesa e espaço. Menciono, ainda, o respaldo americano à entrada do Brasil na OCDE. Essas avanços são mais uma confirmação do quanto a relação entre os dois países é mutuamente vantajosa. Temos que continuar nessa trajetória", disse.
Em outubro, Brasil e Estados Unidos assinaram um Acordo de Comércio e Cooperação Econômica (ATEC, na sigla em inglês) que prevê, entre outras medidas, a facilitação do comércio e o combate à corrupção.
No mesmo mês, o Brasil firmou um acordo junto ao Banco de Fomento norte-americano (EximBank) a fim de financiar iniciativas de exportação na área de tecnologia, telecomunicações (o que inclui o 5G), petróleo e gás, indústria, entre outros setores. O valor global estimado é de até R$ 1 bilhão.
Ingresso na OCDE
Já em relação à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o presidente brasileiro conta com o apoio norte-americano na tentativa de conseguir uma vaga.
Conhecida como o grupo dos países desenvolvidos, a OCDE tem como principal missão incentivar o progresso econômico e o comércio mundial. Atualmente, a instituição conta com 37 países-membros.
O Brasil vem tentando o ingresso na OCDE desde 2017, quando oficializou o pedido. Na avaliação do governo Bolsonaro, dos países que também querem uma vaga no grupo, o Brasil é o que atende ao maior número de requisitos. Em julho, foram aprovados seis instrumentos legais, todos na área de ciência e tecnologia.
Com isso, o país já cumpriu, até o momento, 90 dos 252 instrumentos exigidos para atingir o objetivo. Ou seja, 35% do total dos requisitos, de acordo com informações divulgadas pela Casa Civil.