
Cerveja e vinho. Estas foram as bebidas mais consumidas nos primeiros meses da pandemia da covid-19 na região denominada Cone Sul, onde está inserido o Brasil. O país já registrara o maior índice de uso de álcool em 2019, e só no período de março a junho de 2020, seus níveis quase alcançaram os percentuais de todo o ano anterior.
A pesquisa, realizada pela OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), revelou ainda que o chamado beber pesado episódico, ou seja, ingerir 60g de álcool ou mais, também aumentou no mesmo período.
Esses dados são um sinal de alerta para o excesso de ingestão de uma substância química potente, cujos efeitos adversos acometem todo o organismo, incluindo o cérebro, os ossos e o coração, e se caracteriza pela sua ingestão constante, descontrolada e progressiva.
Essa prática lidera a lista de abuso de drogas nos Estados Unidos e, em todo o mundo, mais de 3 milhões de homens e mulheres morrem em decorrência do uso nocivo de bebidas alcoólicas. Estas ainda são a causa de 5% de todas as doenças mundiais. Os dados são da OMS (Organização Mundial da Saúde).
O beber sem medida pode levar a uma enfermidade crônica chamada Transtorno do Uso do Álcool (TUA) —conhecida, no passado, como alcoolismo ou dependência do álcool. O maior desafio desse quadro é que, na maioria das vezes, a intervenção médica nunca é precoce e, em geral, ela só acontece em decorrência de algum problema de saúde, do envolvimento em acidentes ou problemas legais.
Apesar disso, a doença impacta negativamente o status socioeconômico, a saúde mental, as relações interpessoais, a vida profissional e o bem-estar físico. Para boa parte dos que empreendem um tratamento, educação do paciente e da família, ajuda psicológica, frequência a grupos de apoio e medicamentos podem aprimorar a qualidade de vida.
Entenda o que é bebida alcoólica
O álcool etílico é um ingrediente encontrado na cerveja, no vinho, licores e outros tipos de bebidas disponíveis no mercado. Trata-se de um produto da fermentação por leveduras, açúcar e amido. Como ele é considerado tóxico, a OMS adverte que não há volume seguro de consumo, dado o poder de prejudicar o bom funcionamento de cada órgão do seu organismo.
Definido como um depressor do Sistema Nervoso Central (SNC), o álcool é rapidamente absorvido pelo estômago e pelo intestino por meio da corrente sanguínea. A sua metabolização se dá no fígado —que tem capacidade moderada de "processar" grandes quantidades da bebida. Assim, a intensidade dos efeitos no corpo corresponde à quantidade ingerida.
Como sei que estou sendo moderado?
Um copo comum de bebida contém 14g de álcool, o que equivale a uma latinha de cerveja de 350ml ou uma taça com 150ml de vinho. O beber moderado corresponde a 1 porção para mulheres e até 2 para homens ao dia. E não há um tipo de bebida melhor do que a outra. O que importa é a quantidade de álcool consumida.
O que caracteriza o beber de forma exagerada?
A prática pode levar à intoxicação por álcool, o que é o mesmo que ficar embriagado ou bêbado, isto é, trata-se do resultado do consumo excessivo de álcool.
Quem bebe dessa forma geralmente apresenta os seguintes padrões de comportamento:
Beber em binge ou beber pesado episódico - trata-se de um padrão que tem sido cada vez mais comum, especialmente entre os jovens e se caracteriza pelo beber 5 ou mais doses de bebidas alcoólicas (homens) e 4 ou mais doses (mulheres), em uma mesma ocasião e no período de 2 horas;
Beber pesado - no grupo masculino representa a ingestão de 15 doses ou mais por semana; entre as mulheres a quantidade é de 8 porções por semana.
Quais são os danos que o álcool pode me causar?
As consequências nocivas do mau uso da substância podem ocorrer a curto e longo prazos. As situações a seguir descritas consideram indivíduos com tolerância normal à bebida.
Pessoas que, naturalmente, têm maior tolerância, precisarão de doses cada vez maiores para terem o mesmo efeito.
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