
Minoria na CPI da Covid, com apenas quatro dos 11 senadores titulares, a tropa de choque do governo enfrenta dificuldades para apresentar coesão nos embates com oposicionistas. Dois vêm tendo atuação bastante apagada, dentre eles o presidente do principal partido do centrão. Outro faz questão de dizer que não é governista e até critica o presidente Jair Bolsonaro em algumas ocasiões.
No vácuo deixado pelos titulares, os suplentes chamaram para si a responsabilidade de sair em socorro do governo. Em outros momentos, nem isso foi suficiente, e o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), que não é titular nem suplente, teve que ir à CPI defender a gestão do pai, o presidente Jair Bolsonaro.
O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), um dos principais líderes do centrão e apoiador de Bolsonaro, participou ativamente nas três primeiras semanas da CPI e chegou a ter embates com o relator, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), com quem tem uma boa relação. Na sessão do dia 13 de maio, no depoimento do executivo da Pfizer Carlos Murillo, Ciro atacou o colega:
— Entregue a relatoria e vá para o palanque! — disse.
— Esse não é o Ciro que eu conheço — respondeu Renan.
Mas tudo mudou a partir do depoimento do ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, quando o Ciro aguerrido deu lugar a outro, mais silencioso. A aliados, confidenciou que não estava disposto a se expor para defender o ex-chanceler. No dia seguinte, quando o depoente era o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, Ciro pouco falou. Nas seis sessões seguintes, o cenário se repetiu: não abria a boca ou quase nada dizia.
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