Geral Teresina

Usuários e trabalhadores do transporte público relatam dificuldades durante crise

Impasse entre a prefeitura e empresas que prestam o serviço prejudica quem precisa diariamente do transporte. Setor privado culpa a falta de repasses e a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito não se manifestou sobre o assunto.

13/07/2021 15h18
Por: Redação Fonte: G1 Piauí
Usuários do transporte público de Teresina aguardam ônibus no Centro da capital — Foto: Reprodução/TV Clube
Usuários do transporte público de Teresina aguardam ônibus no Centro da capital — Foto: Reprodução/TV Clube

O transporte público de Teresina está em crise há mais de um ano, devido à dívida da prefeitura com as empresas que prestam o serviço, questões trabalhistas envolvendo os funcionários do setor e os impactos da pandemia na arrecadação das empresas. No meio disso, usuários e trabalhadores enfrentam dificuldades.

“É vergonhoso. Semana por semana esses gestores dizem que vão resolver e nada. Esperamos que seja solucionado logo porque a população que depende de ônibus está sofrendo bastante”, desabafou o autônomo Luciano Oliveira enquanto esperava um ônibus na Praça Fripisa, no Centro da capital.

Outra usuária que também esperava por um ônibus, a estudante Letícia Rodrigues, afirmou que não há muitos ônibus nas ruas e que isso contribui para que haja aglomeração nos poucos veículos que estão circulando.

“Às vezes você passa até quase 40 minutos sem nenhum ônibus aparecer. Como tem pouco ônibus, superlota. É muito cheio. Às vezes não tem nem como pegar o ônibus”, relatou Letícia.

O estudante Renato Furtado contou que a dificuldade para conseguir o serviço dificulta a vida de quem depende dele. “É complicado porque você quer ir trabalhar não pode, quer sair com os amigos não pode. Tem que pagar transporte por aplicativo”, disse.

“A gente já está há quase um ano sem um transporte público decente. A passagem é cara, não tem ônibus e os que tem são sucateados”, completou o estudante.

Atualmente, uma ordem de serviço firmada entre a prefeitura e as empresas de ônibus estabeleceu que 180 veículos devem circular. Contudo, o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) admitiu que apenas 140 ônibus estão trafegando na capital.

Além dos usuários, os trabalhadores também enfrentam as dificuldades causadas pela crise, como atraso salarial, cortes no plano de saúde, vale alimentação e demissões em massa.

O ex-funcionário de uma das empresas que integrava o sistema relatou que ficou sete meses sem receber o salário integral, depois que a empresa aderiu à medida provisória que autoriza a suspensão de contrato.

“A empresa ficava de pagar 30% e o governo de pagar 70%, só que a empresa fechou dizendo que não tinha condições de pagar. Durante esse tempo todo as contas acumularam, porque a gente já tinha conta atrasada”, disse o trabalhador, que preferiu não ser identificado.

“Chega cobrador e não tem como dizer que não posso pagar porque estou desempregado, porque estou de carteira assinada, mas não estou recebendo. Como pode isso? Eu queria uma explicação”, desabafou.

As empresas de ônibus afirmam que a Prefeitura de Teresina deve mais de R$ 50 milhões em subsídios, repasses feitos pelo poder público municipal referentes ao valor não cobrado na tarifa paga pelos usuários.

"O que deixa esse momento ainda mais complexo é a falta de diálogo com o município. A falta de compreensão de que esses subsídios precisam ser feitos, estão estabelecidos em contrato e são indispensáveis para a manutenção do sistema", afirmou Naiara Moares, assessora jurídica do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut).

Para tentar resolver o problema, a Câmara Municipal de Teresina (CMT) instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Público. Após ouvir trabalhadores, empresários e gestores do município, os vereadores iniciaram, no dia 6 de julho, a análise do conteúdo colhido nas sessões e da documentação obtida.

Em seguida, a CMT deverá elaborar um relatório sobre a situação do transporte coletivo da capital. A CPI teve início no dia 10 de maio e tem 120 dias para elaborar o relatório, podendo prorrogar ainda esse prazo por mais 60 dias.

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