
Alexandre Mattos fará um trabalho voluntário no Cruzeiro. Mas terá “carta branca” para tomar decisões no futebol do clube. Quem garante é Pedro Lourenço, gestor do departamento de futebol da Raposa.
“Ele conhece futebol, eu conheço de supermercado. Ele tem carta branca para resolver os problemas nossos com os jogadores.”
O executivo fechou contrato com o Reading FC, da segunda divisão da Inglaterra, mas se dedicará ao clube mineiro por aproximadamente 60 dias, sem remuneração, apenas por gratidão, enquanto aguarda a obtenção do visto europeu de trabalho.
- Vou ajudar o Pedrinho na transição. É até obrigação e gratidão que eu tenho com o Cruzeiro. O que eu puder fazer, independentemente de onde eu estiver, se eu estiver lá na Inglaterra ou não, o que eu puder fazer, vou ajudar com o maior carinho - disse Mattos.
Alexandre Mattos, que começou a carreira de dirigente no América-MG, em 2005, foi diretor de futebol do Cruzeiro entre 2012 e 2015, quando despontou no cenário nacional, com as conquistas de dois títulos do Campeonato Brasileiro (2013 e 2014) e um do Campeonato Mineiro (2014).
Em 2015, se transferiu para o Palmeiras. Pelo time paulista, foi campeão da Copa do Brasil (2015) e bicampeão brasileiro (2016 e 2018). Encerrou a passagem em 1º de dezembro, demitido juntamente com o técnico Mano Menezes.
Resgate do clube
Agora, volta ao Cruzeiro em momento de grande turbulência, dentro e fora de campo. O time foi rebaixado à Série B do Brasileiro. Administrativamente, o clube vive um caos, com denúncias de irregularidades sendo investigadas pela polícia, renúncia do presidente Wagner Pires de Sá e crise financeira.
- Sem dúvida (grande desafio). Mas o Cruzeiro é maior que qualquer problema. Ao mesmo tempo em que é um grande desafio, gigante, mas o Cruzeiro é maior que qualquer coisa.
"Dos três projetos que participei, os três projetos a gente precisava resgatar equipe competitiva, resgatar o clube financeiramente. Resgatar a autoestima de torcida. Cruzeiro e Palmeiras foi assim."
Uma das missões é enquadrar os salários dos jogadores no teto de R$ 150 mil, estipulado pelo Conselho Gestor. Além disso, sem dinheiro para investimentos, remontar a equipe.
- Vou ajudar a contratar o diretor, definir os nomes, porque o Cruzeiro é muito gigante. Qualquer um quer trabalhar. Se hoje estou tendo oportunidade de sair do país, eu devo muito ao Cruzeiro, a todos, ao America e ao Palmeiras, que me deram a projeção. Vou fazer esse ajuste com eles no que for possível, mas tudo numa forma de gratidão a todos, ao Pedrinho, ao Saulo, que são pessoas notas mil.
Já deu primeira consultoria
Alexandre Mattos revelou já ter ajudado o Conselho Gestor na negociação envolvendo o lateral-direito Orejuela. O clube exerceu a preferência e comprou 50% dos direitos econômicos do colombiano por 1,5 milhão de dólares.
- Quando cheguei ao Cruzeiro, pela primeira vez, foi igualzinho, lógico que não nesse nível. Mas o papel é mais um consultor. Orejuela já foi uma ajuda que o Pedrinho me ligou e dei uma ajuda para ele. Meu papel é mais de uma ajuda.
Sobre o trabalho no Reading FC, Alexandre Mattos disse:
- Vai vir um diretor (para o Cruzeiro) e depois eu vou seguir para um desafio enorme, um outro país, outra ideia, e as coisas vão acontecer. Não quero falar ainda, porque tenho que tirar visto. É uma mudança de país, de cultura, mas vou encarar isso e ver se a gente consegue vencer lá também. Mas também quero esperar acontecer, tirar o visto. Recebi a proposta ontem (sábado).
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