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F-1 celebra pausa em meio a demissões por calendário inchado e covid-19

Não por acaso, as equipes já deixaram claro à F1 que não vão aceitar apertar ainda mais o calendário, mesmo que isso signifique queda na arrecadação.

06/08/2021 às 08h20
Por: Redação Fonte: Coluna Pole Position / Uol
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Erros em pit stop são um dos sinais de que times da F1 estão trabalhando no limite | Imagem: Mark Thompson/Getty Images
Erros em pit stop são um dos sinais de que times da F1 estão trabalhando no limite | Imagem: Mark Thompson/Getty Images

O campeonato da Fórmula 1 tradicionalmente faz uma pausa no mês de agosto, no auge do verão europeu, voltando somente no último final de semana do mês, com o GP da Bélgica. E essa pausa nunca foi mais bem-vinda do que neste ano, em que as equipes estão amargando perdas constantes de funcionários, exaustos com o ritmo que a categoria tem adotado em plena pandemia: desde o início da última temporada, em julho de 2020, foram realizadas 29 corridas em 57 finais de semana, ou seja, mais de uma corrida a cada duas semanas, incluindo o período de folga entre as duas temporadas.

E o calendário ainda nem chegou à sua parte mais difícil, em que as provas constantes vão se somar a viagens de longa duração: da última semana de agosto até a segunda semana de dezembro, ou seja, em 16 finais de semana, estão previstas 12 provas distribuídas pela Europa, Ásia e Américas.

"É muito importante para a equipe ter essa folga, especialmente durante a pandemia, porque tivemos muitas corridas em sequência. E também para eles descansarem antes da segunda metade da temporada, que será ainda mais dura", lembrou o chefe da Haas, Guenther Steiner. "É muito importante que eles possam estar com suas famílias, ainda que eles estejam muito cansados no momento. Essa pausa de agosto é importante e ninguém fala de acabar com ela mesmo se nós aumentarmos o calendário no futuro. Pelo menos acredito que, quando a pandemia terminar, pelo menos o planejamento das etapas será mais previsível."

Por um lado, um campeonato cheio de eventos ajuda a Liberty Media, detentora dos direitos comerciais da categoria, a reaver parte do prejuízo de mais de 2 bilhões de reais do ano passado, e também permite um repasse maior às equipes.

Por outro, é um esforço que cobra seu preço. O inchaço do calendário já vinha fazendo com que o número de profissionais que solicitam postos de trabalho nas fábricas aumentasse consideravelmente, e com a sequência atual os times vêm relatando um aumento significativo de pedidos de demissão, o que é um problema e tanto pois se trata de mão de obra bastante especializada.

A pandemia não ajuda nesse sentido, pois as restrições significam que, muitas vezes, os funcionários nem podem sair de seus hotéis quando viajam às provas, além de serem testados constantemente, mesmo estando vacinados. Um teste positivo significa perder a etapa, assim como os contatos mais próximos, então a pressão é grande tanto para os funcionários em si, quanto para suas famílias, ainda mais agora que os casos positivos estão aumentando no paddock, puxados pela Inglaterra, de onde a maioria das equipes e fornecedores vêm.

Essa é uma equação que tem resultado direto nas pistas: se as equipes não podem contar, seja pelos pedidos de demissões e realocações, seja por conta da covid, com seus melhores funcionários, os erros se multiplicam e a maratona de provas pode ser decisiva para o campeonato.

Não por acaso, as equipes já deixaram claro à F1 que não vão aceitar apertar ainda mais o calendário, mesmo que isso signifique queda na arrecadação. A grande preocupação é com sequências de três corridas sem folgas fora da Europa, impedindo que os funcionários voltem para casa por cerca de um mês. Para se ter uma ideia, quando o campeonato voltar, com o GP da Bélgica dia 29 de agosto, a F1 terá seis etapas em sete finais de semana, passando ainda por Holanda, Itália, Rússia, Turquia e Japão.

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