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Cada vez mais isolado, Guedes está perto de ceder na prorrogação do auxílio emergencial

Com o presidente Jair Bolsonaro focado em sua campanha da reeleição, a nova derrota iminente de Guedes é a prorrogação do auxílio emergencial, que é uma possibilidade cada vez maior.

19/10/2021 às 09h47
Por: Redação Fonte: Coluna da Carla Araújo
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Paulo Guedes, ministro da Economia, durante entrevista coletiva em frente ao ministério, em Brasília | Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
Paulo Guedes, ministro da Economia, durante entrevista coletiva em frente ao ministério, em Brasília | Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Desde a revelação de que mantinha investimentos em empresas offshores, o ministro Paulo Guedes tem vivido momentos de fragilidade e está cada vez mais pressionado.

Com o presidente Jair Bolsonaro focado em sua campanha da reeleição, a nova derrota iminente de Guedes é a prorrogação do auxílio emergencial, que é uma possibilidade cada vez maior.

A equipe econômica é contra a renovação do benefício por prever uma alta no endividamento, uma ameaça ao teto de gastos e que não haveria razão para a extensão da medida já que a pandemia está arrefecendo.

Guedes tem pouco tempo para convencer o presidente. Falta menos de duas semanas para o fim da última rodada de auxílio emergencial e ontem (18) Bolsonaro avisou que queria uma decisão "nesta semana".

A ala política do governo tem defendido que o presidente não poderá abrir mão do benefício, ainda mais porque o governo ainda não conseguiu avançar na criação do Auxílio Brasil, programa que substituirá o Bolsa Família e, até agora, oficialmente, depende de aprovação da PEC dos precatórios e da reforma do IR (Imposto de Renda) para essa versão turbinada do benefício.

Além disso, há o argumento de que haverá um contingente grande de pessoas que ficarão desassistidas, pois não devem atender aos critérios de elegibilidade do novo programa. Nos cálculos do Ministério da Cidadania, esse número pode chegar a 20 milhões de pessoas.

O time de desafetos de Guedes entre os pares da Esplanada cresceu nos últimos meses. Ao lado de Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), que sempre foi antagonista de Guedes na condução da política econômica, agora estão outros dois ministros políticos Onyx Lorenzoni (Trabalho) e João Roma (Cidadania).

Na última sexta-feira, os três participaram de uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro, sem a presença de Guedes. Assim como Bolsonaro, os três estão de olho nos palanques de 2022.

Ontem, em evento público em Minas Gerais, quando falou da possibilidade de renovar o auxílio, Bolsonaro contou de uma reunião que teve com Guedes no sábado e já deu como certo que o auxílio será prorrogado, dizendo até que o valor já estaria definido.

"Até digo para vocês, a questão do auxílio emergencial, que está batido o martelo no seu valor juntamente ao Paulo Guedes [ministro da Economia] e outros ministros no sábado, é um valor para dar dignidade a esses necessitados. O ideal é que todos tivessem seu ganha-pão, tivesse emprego, mas as consequências da pandemia agravaram essa questão e não somos insensíveis a esses mais necessitados", completou.

 

Opções em estudo

 

Fontes do Ministério da Economia e da Cidadania dizem que há algumas propostas em estudo, tanto para uma possível extensão do auxílio, como para outras medidas sociais que unam, por exemplo, o vale gás a um outro benefício, compondo um valor maior.

Isso porque, além de correr contra o tempo para resolver o futuro do auxílio emergencial, é preciso buscar alternativas para o Auxílio Brasil e para outras matérias importantes que estão em tramitação no Congresso.

Conforme mostrou a coluna, já está em discussão no governo, por exemplo, a possibilidade de que a ampliação da faixa de isenção do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física) seja feita via Medida Provisória e não fique dependendo da aprovação da medida no Senado.

 

Saída de Guedes?

 

Durante o fim de semana, enquanto Guedes retornava de viagem dos Estados Unidos, houve boatos de que o ministro deixaria o cargo.

Fontes próximas a Guedes negaram qualquer disposição do ministro em deixar o posto.

A avaliação era de que se tratava de uma pressão do Congresso, justamente para que Guedes libere mais créditos extraordinários para novas rodadas do auxílio.

Auxiliares do presidente até reconhecem o desgaste, mas dizem que Bolsonaro ainda apoia o seu ministro. Até agora, o presidente não comentou publicamente o caso das offshores.

 

Sem data de depoimento

 

No último dia 6, a Câmara aprovou a Câmara dos Deputados aprovou a convocação do ministro da Economia, Paulo Guedes, para dar explicações sobre a offshore em paraíso fiscal no plenário da Casa. Foram 310 votos favoráveis contra 142 contrários ao requerimento de convocação.

Cabe ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), marcar a data do depoimento. Até agora, porém, Lira ainda não sinalizou nenhuma pressa.

À coluna, o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), minimizou o desgaste da participação do Guedes no Plenário da casa. "Ele já foi várias vezes ao parlamento e se deu bem".

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