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Esculhambação do Enem é resumo do que Bolsonaro faz com o país

Sob seu (des)governo, o país se vê desorientado. Órgãos executores de políticas públicas que há décadas funcionavam bem hoje estão em crise. Acontece em praticamente todas as áreas, mas o alvo da vez é o Inep, que organiza o Enem.

19/11/2021 às 11h32
Por: Redação Fonte: Coluna do Chico Alves
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Presidente Jair Bolsonaro | Imagem: Adriano Machado/Reuters
Presidente Jair Bolsonaro | Imagem: Adriano Machado/Reuters

Como uma criança travessa que aproveita a ausência da mãe para bagunçar a casa, Jair Bolsonaro aproveita que as instituições do país não estão funcionando para virar o Brasil de pernas para o ar. Sob seu (des)governo, o país se vê desorientado. Órgãos executores de políticas públicas que há décadas funcionavam bem hoje estão em crise. Acontece em praticamente todas as áreas, mas o alvo da vez é o Inep, que organiza o Enem.

Bolsonaro tanto fez que conseguiu desorientar o principal instrumento de acesso de milhões de estudantes à universidade pública. As primeiras tentativas, sob responsabilidade dos ex-ministros da Educação Vélez Rodriguez e Abraham Weintraub, renderam dificuldades na inscrição, erro na correção das provas e obstáculos no acesso aos resultados.

E também censura a 66 questões do exame de 2019, como mostrou reportagem do jornalista Luigi Mazza, da revista Piauí.

A edição deste ano, nas mãos do ministro Milton Ribeiro, teve, entre outras barbeiragens, a intervenção ideológica no trabalho técnico da equipe de preparação do Enem. O caso virou escândalo, com o pedido de demissão de 37 servidores do Inep.

A esculhambação é generalizada. Vai desde a quebra do rigoroso sigilo que sempre foi a marca do Enem (um policial federal teve acesso indevido à sala onde o conteúdo da prova fica guardado) até a tentativa descarada de maquiar a história, com Bolsonaro sugerindo que nas provas o Golpe Militar de 1964 seja tratado como "revolução".

Uma ação da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) para afastar o presidente do Inep, Danilo Dupas, foi negada na Justiça. A entidade entra hoje com agravo, mas são poucas as esperanças de que tenha sucesso.

Tudo isso acontece a três dias da primeira prova, com estudantes acrescentando altos níveis de tensão a um período de preparação em que tiveram que lidar com a suspensão de aulas por causa da pandemia e com a incompetência do Ministério da Educação, que não garantiu recursos para as aulas remotas.

Em um dos momentos mais decisivos de suas vidas, os candidatos são jogados no meio da balbúrdia. Nenhuma das instituições republicanas (aquelas que dizem estar funcionando) se mostrou capaz de ajudá-los.

Por isso, o presidente e o ministro Milton Ribeiro continuam à vontade para esculhambar o exame.

Falsificação histórica, censura, mentiras, assédio moral, quebra de sigilo, incompetência: essa é a cara do Enem no governo Bolsonaro.

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