Líderes de Câmara e Senado ficaram incomodados com a possibilidade de a Controladora-Geral da União (CGU) mapear indicados políticos em cargos públicos com o intuito de expor as informações no portal da transparência. Eles se queixam, sobretudo, de a medida ter partido do ministro da Economia, Paulo Guedes, que vive protagonizando embates com o Congresso e não possui relação direta com o tema. Enxergam na iniciativa mais uma tentativa de interferência do ministro da Economia na relação do governo com o Legislativo.
O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), viu na medida uma provocação do ministro ao Congresso, mas também foi categórico ao dizer que a ideia é inviável.
— Não vai prosperar e, não prosperando, foi uma provocação desnecessária — disse Ricardo Barros.
O deputado acrescentou que não considera haver previsão legal para implantar esse tipo de controle sobre as indicações.
— Até poderia ser uma iniciativa do governo, mas não há apoiamento do governo. É uma coisa só do Paulo Guedes — acrescentou, reforçando que o ministro da Economia estaria isolado.
Parlamentares ironizam
Apesar da fala de Barros, na última sexta-feira a CGU informou que já está trabalhando na “operacionalização” da proposta feita por Guedes. A controladoria diz que a medida será incluída no plano anticorrupção. Mas não deu prazo para a implantação da proposta.
No Congresso, a iniciativa também não foi levada a sério nem mesmo pelos aliados do Palácio do Planalto. Em uma roda de conversa, o tema foi tratado como algo “fora do radar” e de forma irônica por parlamentares, que diziam que Guedes deveria se ocupar com a área econômica, em especial a crise dos combustíveis. “Cada um no seu quadrado”, disse um deles.