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Juros altos mexem com bolso do brasileiro e deixam casa e carro mais caros

Na prática, já está mais caro financiar uma casa ou um carro. E o custo pode ficar ainda mais elevado nos próximos meses.

Por: Redação RI Fonte: Uol
12/03/2022 às 08h43
Juros altos mexem com bolso do brasileiro e deixam casa e carro mais caros

Desde que o Banco Central iniciou o processo de elevação da Selic (a taxa básica de juros), em março do ano passado, o acesso do brasileiro ao crédito também ficou mais caro. Dados do Banco Central mostram que as famílias estão pagando mais para financiar a casa própria e a compra do carro, duas das principais operações de crédito para pessoas físicas.

A má notícia é que o custo deve continuar a subir. Analistas afirmam que, com a inflação ainda acelerada, o BC tende a continuar a subir a Selic, atualmente em 10,75% ao ano. Com isso, as taxas de juros do financiamento imobiliário e das linhas de crédito para aquisição de veículos também ficarão mais altas.

Na prática, já está mais caro financiar uma casa ou um carro. E o custo pode ficar ainda mais elevado nos próximos meses.

 

Os números do BC mostram a escalada:

 

Taxas de juros em meses selecionados (% ao ano):

  • Fevereiro de 2021: 2% (Selic); 7% (Imobiliário); 20% (Veículos)
  • Março de 2021: 2,75% (Selic); 6,9% (Imobiliário); 20,6% (Veículos)
  • Maio de 2021: 3,50% (Selic); 6,6% (Imobiliário); 21,3% (Veículos)
  • Junho de 2021: 4,25% (Selic); 6,7% (Imobiliário); 21,6% (Veículos)
  • Agosto de 2021: 5,25% (Selic); 7% (Imobiliário); 22,7% (Veículos)
  • Setembro de 2021: 6,25% (Selic); 7,2% (Imobiliário); 23,9% (Veículos)
  • Outubro de 2021: 7,75% (Selic); 7,5% (Imobiliário); 24,8% (Veículos)
  • Janeiro de 2021: 9,25% (Selic); 9,4% (Imobiliário); 26,9% (Veículos)

 

Mas qual é o impacto no bolso?

 

A alta da taxa de juros em um financiamento pode não parecer grande, mas faz toda a diferença no custo final.

O professor de Matemática Financeira José Dutra Vieira Sobrinho, da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), simulou, a pedido do UOL, o impacto da alta de juros em um financiamento imobiliário de R$ 300 mil, por 30 anos. O sistema de pagamentos considerado foi o SAC (Sistema de Amortização Constante), um dos mais comuns no financiamento via bancos.

 

Os resultados foram os seguintes:

 

  • Com juros de 7% ao ano (em fevereiro de 2021): a primeira prestação é de R$ 2.543,33 e a última é de R$ 838,08. O total a ser pago é de R$ 608.655,00.
  • Com juros de 9,4% ao ano (em janeiro de 2022): a primeira prestação é de R$ 3.083,33 e a última é de R$ 839,58. O total a ser pago é de R$ 706.125,00.

 

Os cálculos não levaram em conta nenhum tipo de atualização monetária, nem o pagamento de seguros nas parcelas. Normalmente, um contrato imobiliário prevê o pagamento de juros mais um indexador, como a TR (Taxa Referencial). Além disso, costuma haver acréscimo nas parcelas referentes a seguros por morte e invalidez permanente do proprietário e danos físicos ao imóvel.

Na simulação, fica claro o impacto dos juros mais altos. Quem fechou a operação de crédito em janeiro deste ano, a uma taxa de 9,4% ao ano, pagará R$ 97.470,00 a mais no financiamento da casa própria.

Dutra Sobrinho chama a atenção ainda para o fato de que, com a alta dos juros, os valores das prestações ficam mais elevados. Isso pode ser um empecilho para o cliente fechar o crédito com o banco. Normalmente, em um financiamento imobiliário, os bancos aceitam um comprometimento máximo de 30% da renda familiar.

Em outras palavras, se o valor da prestação superar 30% da renda, o negócio não é fechado.

 

Compra do carro também ficou mais cara

 

Simulação de Dutra Sobrinho também mostra aumento do custo para quem vai comprar um carro.

No financiamento de R$ 60 mil de um veículo, por 5 anos, as condições seriam as seguintes:

 

  • Com juros de 20% ao ano (em fevereiro de 2021): a prestação é de R$ 1.535,38. O total a ser pago é de R$ 92.122.80.
  • Com juros de 26,9% ao ano (em janeiro de 2022): a prestação é de R$ 1.726,08. O total a ser pago é de R$ 103.564.80.

O cálculo não leva em conta a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que normalmente é incorporada às prestações. Os números indicam que, de fevereiro de 2021 para janeiro deste ano, comprar um carro nestas condições ficou R$ 11.442,00 mais caro.

Vale lembrar que, ao mesmo tempo, os preços dos veículos também ficaram mais caros no Brasil, em meio à escassez de peças durante a pandemia de covid-19.

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