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Sigilo sobre encontros com pastores vale por uma confissão

Num escândalo em que a voz de um ministro soa numa gravação atribuindo o pastoreio nos cofres da Educação a um "pedido especial" do presidente da República, o segredo vale como confissão de culpa.

14/04/2022 às 08h28
Por: Redação RI Fonte: blog do Josias de Souza
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Imagem: Marcos Corrêa/PR
Imagem: Marcos Corrêa/PR

Bolsonaro é um defensor da transparência. Para os outros. Às voltas com perversões em que são desviadas verbas de um orçamento secreto, achou que seria uma boa ideia decretar o sigilo sobre os encontros que manteve no Planalto com os pastores que achacavam prefeitos no MEC.

Num escândalo em que a voz de um ministro soa numa gravação atribuindo o pastoreio nos cofres da Educação a um "pedido especial" do presidente da República, o segredo vale como confissão de culpa.

Todo orçamento de R$ 55 bilhões que Bolsonaro entregou ao centrão no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação não daria para vestir a desculpa esfarrapada que o chefe da Segurança Institucional, general Augusto Heleno, inventou.

Valendo-se da Lei de Acesso à Informação, o jornal O Globo solicitou ao planalto os dados sobre as visitas dos pastores lobistas Arilton Moura e Gilmar Santos a Bolsonaro. O gabinete do general Heleno disse que o pedido não pode ser atendido porque a divulgação das informações colocaria em risco a segurança do presidente e dos seus familiares.

Quer dizer: na versão do general, a revelação de encontros mantidos com um par de interlocutores evangélicos na sede do governo, em horário de trabalho, constitui um risco à integridade física de Bolsonaro e de todo o clã presidencial. A alegação é intrigante, preocupante e desmoralizante.

A desculpa intriga porque revela a presença no Planalto de um general que confunde jornalismo com terrorismo.

Preocupa porque passa a impressão de que a segurança da principal autoridade do país está entregue a um gabinete de aloprados.

Desmoraliza porque sinaliza que o discurso segundo o qual Bolsonaro comanda um governo sem corrupção não resiste a uma análise da agenda de compromissos do presidente.

O comportamento do Planalto não orna com a moralidade. Não combina nem mesmo com o versículo multiuso que Bolsonaro extraiu do Evangelho de João —"Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". O presidente está preso à verdade por grilhões de barbante.

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