24°C 37°C
Teresina, PI

PSL usou verba pública até para fazer bonecões infláveis de Bolsonaro

Só na promoção e realização do 'dia nacional de filiação', sigla gastou R$ 4 milhões em agosto

06/02/2020 às 09h59
Por: Redação RI Fonte: Folha de S. Paulo
Compartilhe:
 Lançamento da campanha nacional de filiação do PSL em São Paulo - Ricardo Matsukawa/Folhapress - 17.ago.2019
Lançamento da campanha nacional de filiação do PSL em São Paulo - Ricardo Matsukawa/Folhapress - 17.ago.2019

O dinheiro público do fundo partidário destinado ao PSL foi usado para a confecção de 14 bonecões infláveis de Jair Bolsonaro e do presidente da sigla, o deputado federal Luciano Bivar (PE).

Os objetos custaram R$ 33 mil aos cofres públicos e foram confeccionados em tamanhos variados: oito de 1,8 metro, quatro de 3 metros e dois superbonecões, um de Bolsonaro e um de Bivar, com 5 metros de altura cada um.

O gasto serviu para animar solenidade em São Paulo relacionada à campanha nacional de filiação que o partido promoveu em 17 de agosto do ano passado.

Só os eventos realizados nesse dia, em várias cidades do país, custaram ao partido cerca de R$ 4 milhões.

O dinheiro veio exclusivamente do Fundo Partidário, que bancou bufês, brindes, camisetas, aluguel de hotéis, de ônibus, segurança, assessoria, aparelhagem de som e vídeo e a colocação da imagem de Bolsonaro, Bivar e de políticos da legenda em outdoors espalhados por todo o Brasil.

O PSL foi uma sigla nanica até 2018, quando recebeu em seus quadros o então candidato Jair Bolsonaro. Com a onda que elegeu o presidente, a legenda passou em 2019 a ter direito a uma cota de cerca de R$ 9 milhões mensais do Fundo Partidário, contra menos de R$ 700 mil que recebia até o ano anterior.

Bolsonaro acabou rompendo com Bivar e deixou o PSL em novembro, ou seja, cerca de três meses após a campanha nacional em que sua imagem foi o principal chamariz para novos filiados.

Conforme a Folha mostrou, a verba pública que o PSL passou a ter foi usada em gastos como compra de carro de R$ 165 mil, almoços e jantares em alguns dos restaurantes mais caros de Brasília e aquisição de jardim de inverno e mobiliário de luxo para a nova sede.

O partido também multiplicou gasto com escritórios jurídicos, incluindo R$ 340 mil para a advogada que defendeu as candidatas da sigla em Minas Gerais denunciadas sob a acusação de terem servido como laranjas para desvio de verba eleitoral.

A documentação relativa a esses gastos —que pela lei só teria que vir a público a partir de junho— foi colocada pelo partido em seu site após a crise pública com Bolsonaro, que levantou suspeitas sobre a má aplicação desse dinheiro.

Procurado pela Folha por meio de sua assessoria, Bolsonaro não quis responder se tomou conhecimento desses gastos e que opinião tem sobre eles.

A Folha enviou 28 perguntas específicas ao PSL, mas o partido respondeu apenas de forma geral, dizendo que o crescimento da sigla justifica o aumento dos gastos e que todos eles ocorreram de forma legal e com os serviços efetivamente prestados.

As regras de distribuição do Fundo Partidário —que destinará R$ 959 milhões aos 33 partidos em 2020— foram definidos pelo Congresso, que ao longo dos anos tem aprovado alterações alargando o rol de gastos permitidos, afrouxando punições e elevando a cota.

Especialistas e advogados eleitorais ouvidos pela Folha registram que a lei permite o gasto com a propaganda doutrinária e política e para o alistamento de filiados, mas ressaltam que abusos podem chocar-se com os princípios da moralidade, da impessoalidade e da economicidade na administração pública.

"Usar o dinheiro do fundo para fazer um boneco que reproduz a feição do coronel que dirige o partido não me parece condizente. Já não seria muito bonito fazer com o dinheiro dele, seria algo estranho, caricatural até. Agora, fazer com o dinheiro público, me parece muito difícil defender, muito pouco sustentável do ponto de vista da moralidade", afirma Roberto Livianu, doutor em direito pela USP e procurador de Justiça por São Paulo.

O PSL também usou em 2019 o Fundo Partidário para contratar um pesquisa de opinião pública —R$ 128 mil pagos ao Paraná Pesquisas— para saber qual era a imagem que a população tem da legenda, entre outras perguntas.

Já outro R$ 1,65 milhão foi usado em três outros contratos para desenvolvimento de um site com campanha em defesa da reforma da Previdência.

O maior deles, de R$ 1,2 milhão, foi com a FSB Comunicação. No detalhamento da proposta, a agência sugeriu a criação de uma campanha no site e nas redes sociais nos moldes do "pergunta lá" do posto Ipiranga, com projeção de gasto de R$ 200 mil só com o ator humorista que faria o papel de frentista nos vídeos.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Teresina, PI
22°
Tempo limpo

Mín. 24° Máx. 37°

22° Sensação
2.57km/h Vento
73% Umidade
0% (0mm) Chance de chuva
05h56 Nascer do sol
17h53 Pôr do sol
Qua 38° 26°
Qui 39° 21°
Sex 39° 21°
Sáb 40° 21°
Dom 41° 22°
Atualizado às 06h01
Economia
Dólar
R$ 5,20 +0,02%
Euro
R$ 6,02 +0,00%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 353,533,30 -0,31%
Ibovespa
166,783,56 pts -0.09%
Publicidade