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Cemitério no Piauí tem devoção por 'almas' de soldados mortos em batalha de 1823

Diz a história local que, além dos corpos, as almas dos soldados que lutaram há exatos 200 anos contra portugueses ajudam pessoas a realizar milagres.

02/11/2023 às 09h38
Por: Redação RI Fonte: Coluna do Carlos Madeiro | Uol
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Cemitério do Batalhão, em Campo Maior (PI) | Imagem: Maria do Amparo Alves de Carvalho/Arquivo pessoal
Cemitério do Batalhão, em Campo Maior (PI) | Imagem: Maria do Amparo Alves de Carvalho/Arquivo pessoal

Tombado pelo patrimônio histórico desde 1938, o Cemitério do Batalhão, em Campo Maior (PI), guarda a lembrança da Batalha do Jenipapo, uma das mais marcantes guerras do país e que opôs sertanejos piauienses contra portugueses em 1823 em razão da declaração de independência um ano antes.

Diz a história local que, além dos corpos, as almas dos soldados que lutaram há exatos 200 anos contra portugueses ajudam pessoas a realizar milagres. Em peregrinações, devotos pagam promessas a elas.

- Por serem pessoas mortas em uma luta sangrenta, às suas almas são atribuídos diversos milagres, fazendo com que muitos fiéis recorram a sua intercessão. A concretização dessas promessas é percebida nos ex-votos encontrados no Cruzeiro do Cemitério do Monumento do Jenipapo.- Márcio Douglas de Carvalho e Silva, no artigo "Em busca de milagres: promessas e ex-votos às Almas da Batalha do Jenipapo"

Aos 76 anos, o coordenador do Monumento aos Heróis do Jenipapo, Antônio Miranda, diz que perdeu as contas de quantas pessoas já foram ao local para pagar promessas e fazer pedidos.

- Lá já foi gente de todo canto! As pessoas têm um ritual para pagar a promessa: se foi curado de uma dor de cabeça, manda fazer uma peça de madeira da cabeça e deixa lá; vale para braço, perna, onde for. Se for problema de pele ou uma criança, leva uma camisa dela. Se passa no vestibular ou em um concurso, deixa o caderno em que estudou.- Antônio Miranda, coordenador do Monumento aos Heróis do Jenipapo

O cemitério

A peregrinação ao local ocorre desde a batalha, e a fama de milagres cresceu. Miranda conta que vai ao monumento de domingo a domingo. Ele explica que o Dia de Finados é sempre um dos mais lotados.

O cemitério está localizado a 5 km da cidade e fica na região que foi palco da batalha. Não se sabe o número exato de mortos naquela disputa, mas estima-se que, do lado brasileiro, passaram de 200.

A batalha é lembrada com orgulho pelo Piauí, que comemorou neste ano o bicentenário com a realização de um ato público (com direito a vídeo do presidente Lula (PT) e encenação da guerra.

Segundo o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o cemitério guarda alguns dos "restos mortais dos heróis da Batalha do Jenipapo." As sepulturas são marcadas por pedras e cruzes e madeira, sem inscrições ou nomes.

Na página sobre o cemitério, o Iphan afirma que o estado de conservação do local é "ruim", segundo vistoria no último dia 6 de junho.

 

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