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Zonzo, Bolsonaro tenta escapar do tarifaço de Trump de fininho

Ao perceber que se enfiou dentro de um redemoinho, Bolsonaro fez o que sempre faz. Em duas entrevistas —uma para o site Poder 360, outra para a CNN— criou uma realidade paralela.

16/07/2025 às 10h02
Por: Redação RI Fonte: Coluna do Josias de Souza | Uol
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Imagem: Gabriela Biló/Folhapress
Imagem: Gabriela Biló/Folhapress

Bolsonaro está tonto. O distúrbio tem três origens. Uma, primordial, é a certeza de que está prestes a virar presidiário. Outra é a percepção de que o tiro de Trump atingiu não os inimigos da direita, mas empresários e trabalhadores brasileiros. A terceira razão é o estrago produzido pela briga autofágica que opõe o afilhado Tarcísio de Freitas ao filho Eduardo Bolsonaro.

Ao pedir ao Supremo que condene Bolsonaro por crimes que podem resultar em 43 anos de cana, o procurador-geral Paulo Gonet sinalizou que o xadrez virá com ou sem tarifaço. Ao aderir ao gabinete de crise coordenado por Geraldo Alckmin, o empresariado bolsonarista revelou-se mais preocupado em manter o balanço no azul do que em fugir da bandeira vermelha.

Ao perceber que se enfiou dentro de um redemoinho, Bolsonaro fez o que sempre faz. Em duas entrevistas —uma para o site Poder 360, outra para a CNN— criou uma realidade paralela. Nela, Tarcísio e Eduardo fizeram as pazes —"Coloquei uma pedra em cima desse assunto"— e a família Bolsonaro não tem nada a ver com a chantagem de Trump -"Nada disso teve participação nossa. Eduardo não teve participação direta nisso. Eu não vinculo minha anistia a isso. Eu e Eduardo somos contra o tarifaço."

A tentativa de Bolsonaro de escapar de fininho do tiroteio esbarra nos fatos. Logo que Trump disparou a tarifa de 50% contra o Brasil, Eduardo imprimiu suas digitais no cabo da arma. Subscreveu, envaidecido, postagem realçando o "intenso diálogo" que mantinha com o governo americano.

Eduardo anotou que a carta enviada a Lula, na qual Trump condiciona a suspensão do tarifaço à interrupção do processo contra Bolsonaro, "confirma o sucesso na transmissão daquilo que viemos apresentando com seriedade e responsabilidade." Desde então, o clã usa o tiro de Trump para cobrar a anistia do patriarca.

Declarando-se "apaixonado" por Trump, Bolsonaro agora faz pose de negociador: "Me deem o passaporte de volta, que eu converso com ele". A oferta soa mais como tentativa de fuga de um quase-presidiário do que como solução.

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