
Mais de 50 médicos anestesistas do Hospital de Urgência de Teresina (HUT) iniciaram, nesta sexta-feira (8), uma paralisação após sofrerem uma redução de R$ 900 no valor pago pela produtividade. Segundo a Fundação Municipal de Saúde (FMS), apenas dois centros cirúrgicos seguem em operação, o que levou ao cancelamento de cirurgias previamente agendadas.
De acordo com a nota divulgada pela FMS, a decisão dos anestesistas foi tomada de forma unilateral, sem comunicação prévia à direção do hospital. A fundação informou que o movimento provocou impacto imediato no fluxo de atendimentos, especialmente nas cirurgias ortopédicas de urgência, que tiveram parte da agenda suspensa. A medida afetou diretamente o funcionamento da unidade, que reduziu a quantidade de procedimentos realizados.
A direção do HUT declarou que já iniciou conversas com representantes da categoria para tentar chegar a um acordo. O órgão afirmou que adota como prioridade o diálogo para solucionar impasses, mas destacou que não permitirá que o interesse público seja prejudicado pela interrupção dos serviços essenciais de saúde.
Ainda segundo a nota, medidas técnicas, administrativas e legais estão em andamento para reduzir os prejuízos à assistência e restabelecer a normalidade no hospital. A FMS ressaltou que irá responsabilizar eventuais condutas que considere incompatíveis com a continuidade do atendimento à população.
Confira a nota da FMS na íntegra
A Fundação Municipal de Saúde, por meio da direção do Hospital de Urgência de Teresina (HUT), informa que, nesta data, foi surpreendida com a deliberação unilateral da equipe de médicos anestesiologistas pela redução significativa de suas atividades, em razão de questionamentos quanto ao valor da produtividade paga à categoria. Tal medida resultou na operação de apenas duas salas cirúrgicas, comprometendo a realização das cirurgias ortopédicas de urgência programadas.
A decisão da categoria foi tomada sem prévia comunicação ou pactuação com a gestão hospitalar, gerando impactos imediatos no fluxo de atendimentos, o que provocou o cancelamento de procedimentos cirúrgicos previamente agendados, com prejuízos diretos à população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS).
A direção do HUT informa que adota a política da solução de dissidências prioritariamente pelo diálogo e que, inclusive, já conversou com representantes da categoria médica envolvida.
O Hospital reforça ainda que em razão do princípio da supremacia do interesse público não tolerará a geração de obstáculos à continuidade da prestação dos serviços assistenciais de saúde.
Diante disso, serão adotadas todas as medidas técnicas, administrativas e legais cabíveis, com o objetivo de mitigar os prejuízos assistenciais, restabelecer a normalidade dos serviços e assegurar a responsabilização de eventuais condutas incompatíveis com o interesse público.
Reiteramos nosso compromisso com a transparência, com a legalidade e, sobretudo, com a assistência à população, razão primeira de nossa existência.
Falta de água e de insumos
Nessa quinta-feira (07), o problema se agravou com a interrupção no abastecimento de água, o que afetou diretamente a higienização dos ambientes hospitalares, o funcionamento dos banheiros e até mesmo a realização de procedimentos médicos. A situação foi considerada caótica por profissionais da saúde que atuam na unidade.
Além disso, a escassez de materiais hospitalares é mais um desafio enfrentado diariamente. Faltam insumos básicos para o atendimento, o que tem gerado revolta entre os servidores e apreensão entre os pacientes e familiares.