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Investigados por lavagem de dinheiro para o PCC em postos de combustíveis são denunciados

Na ação penal, o MP-PI pediu cerca de R$ 74 milhões de indenização. O caso aguarda decisão da Justiça.

Por: Redação RI
25/03/2026 às 11h34 Atualizada em 27/03/2026 às 17h32
Investigados por lavagem de dinheiro para o PCC em postos de combustíveis são denunciados
Funcionários em postos de combustíveis interditados — Foto: Roberto Araújo

O Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI) ofereceu denúncia contra 12 investigados na Operação Carbono Oculto 86, deflagrada em novembro de 2025 no Piauí, Maranhão e Tocantins. A operação investigou um grupo suspeito de usar postos, empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavar dinheiro, cerca de R$ 5 bilhões, para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e 6ª Promotoria de Justiça de Teresina aponta que o grupo integra um núcleo financeiro e operacional da facção.

Segundo o Ministério Público, os alvos são suspeitos de crimes como adulteração de combustíveis, fraude no abastecimento de consumidores, falsidade ideológica e lavagem de capitais. As fraudes foram constatadas entre os anos de 2016 e 2025.

O Gaeco destacou que o grupo virou alvo após denúncias e boletins de ocorrência de consumidores alertando sobre a qualidade do combustível. As irregularidades foram constatadas com autuações do Instituto de Metrologia do Piauí (Imepi), Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Procon.

Ainda de acordo com a denúncia, foi apurado que os investigados utilizavam "laranjas" para ocultar a origem ilícita do dinheiro, que pode caracterizar o crime de lavagem de capitais.

"As fraudes podem ser divididas em dois grupos. Fraudes de natureza quantitativa e fraudes de natureza qualitativa. No que se refere às fraudes quantitativas, constatou-se irregularidades como o rompimento de lacres e manipulação do sistema de medição", detalhou o MP.

"Verificou-se ainda uma reincidência exponencial no período de 2021 até 2024. O Imepi constatou que, nesse período, cerca de 70% das autuações foram realizadas dentro das redes de postos de combustíveis investigadas", completou o Ministério Público.

O MP revelou ainda que a investigação constatou ainda contratação de uma pessoa de fora do Piauí que vinha ao estado para realizar a adulteração das placas medidoras de combustível.

Durante a investigação, o MP obteve a decisão que manteve a a interdição dos postos das redes HD e Diamante e bloqueio de bens dos investigados.

Na ação penal, o MP-PI pediu a condenação dos denunciados ao pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 74 milhões e duzentos mil reais. A denúncia encontra-se aguardando que o Poder Judiciário decida sobre o recebimento e processamento.

Operação Carbono Oculto 86

A Operação Carbono Oculto 86, deflagrada em 5 de novembro, teve como alvos 49 postos de combustíveis, além de empresas de fachada e fundos de investimento em cidades do Piauí, Maranhão e Tocantins.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, o grupo usava essas estruturas para lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e ocultar patrimônio. Dos 49 postos, 42 ficam no Piauí, sendo 16 em Teresina.

Entre os bens apreendidos estão um Porsche avaliado em R$ 550 mil e um avião modelo Cessna Aircraft 210M, pertencente ao empresário Haran Santhiago Girão Sampaio.

Outros 22 postos foram interditados em 11 de novembro por decisão judicial baseada em processos resultantes da operação.

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