
Um dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro durante os primeiros meses de governo, o ator Carlos Vereza anunciou, por meio de um post, um rompimento depois dos atritos entre o chefe do Executivo e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
"Estava tentando defender Bolsonaro, não tanto por ele, mas pela normalidade das instituições. Mas ele desautorizar publicamente o ministro da saúde por ciúmes, não dá mais: tirei o time", escreveu no Facebook.
Depois, diante da repercussão, ele avisou que fecharia seu perfil para o público. "Não tomo essa decisão por cansaço. O que me motiva a escrever para poucas pessoas, é estar constatando a invasão de uma horda de bárbaros, quadrúpedes fanatizados, filhotes sectários formados pelo populismo do honesto mas egocêntrico Jair Messias Bolsonaro", escreveu.
Hoje encerro minhas postagens abertas ao público. Quando iniciei no Facebook, há tempos, procurei fazer o melhor, pesquisar sempre temas que pudessem acrescentar algum tipo de intercâmbio com amigos, que nunca considerei virtuais.
Percebi neste tão maltratado e revolucionário meio de comunicação, um instrumento de difusão de ideias, algo como um diário eletrônico, com a vantagem de não acariciar o ego nem a posteridade, pois mal o texto é rabiscado, despenca, silencioso, para algum limbo digital.
Não tomo essa decisão por cansaço. O que me motiva a escrever para poucas pessoas, é estar constatando a invasão de uma horda de bárbaros, quadrúpedes fanatizados, filhotes sectários formados pelo populismo do honesto mas egocêntrico Jair Messias Bolsonaro.
Nenhuma diferença dos quadrúpedes petistas fanatizados pelo gatuno Lula da Silva.
Espécimes previstos por Umberto Eco, que alertou para os imbecis que ocupariam as redes sociais.
Nublados pela obtusidade, caluniam por incapacidade de conviver com a complexidade.
Nada veem além da própria limitação para compreender, que a crítica bem intencionada, significa alguma esperança no político que apoiei publicamente, antes das eleições, e mesmo depois, e depois.
Mas os dedos acusadores erguem-se ao lado de clichês, de frases mal articuladas. E, os que tentam apontar os desvios de rumo do presidente, são alvo da ignorância, do linchamento de reputações.
Sim, fiz muitos e queridos amigos e amigas; tantos que me honraram com trocas intelectuais, amoráveis, e nunca virtuais.
Mas tentar a racionalidade neste momento, é tarefa semelhante ao mito de Sísifo - no caso, em geral, dialogar com o próprio eco.
Abraços fraternos.
Carlos Vereza
Ao longo dos últimos dias, Vereza já havia feito críticas a Bolsonaro por causa de sua postura em relação à pandemia do novo coronavírus. O presidente defende um relaxamento no isolamento social, o que vai de encontro à postura do Ministério da Saúde e governadores.
"A mesma fritura de sempre: Bolsonaro agitando seus apoiadores radicais preparando para demitir Mandetta", disse em uma postagem.
"O número de mortes no país não está maior porque as pessoas estão se preservando em casa. Obrigado Mandetta", escreveu em outra.
Depois da repercussão, Vereza escreveu um longo texto explicando a sua posição. Veja o texto:
Aprendi na vida a não tomar decisões precipitadas. Na vida e na política. Mas o limite se apresenta quando a realidade se impõe à força dos fatos.
Os fatos, esse personagem sempre desconsiderado pelos políticos populistas.
Essa estratégia de vitimização de Bolsonaro esgotou-se pela repetição, tornou-se previsível, e portanto cansativa.
Sempre elege um inimigo, seja real ou imaginário. Assim mantém seus radicais aficionados em constante tensão como se estivesse em clima de campanha permanente.
E, aí de quem, em sua equipe, comece a destacar-se pela competência: é fritado e expelido sem remissão; e ele sempre vitimizado, “ traído “ por aqueles em “ quem tanto confiou”.
Reparem em quantos companheiros de longa data foram descartados como se.fossem simples peças de reposição.
Sim. Bolsonaro tem um projeto pessoal de poder. A questão é saber se o país faz parte de suas ambições.
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