
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) elevou o tom das críticas ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e disse hoje que ele chegou ao topo da estrutura do Judiciário por "amizade" com o ex-presidente Michel Temer (MDB).
A ofensiva ocorre porque o representante da Corte barrou a nomeação de Alexandre Ramagem, delegado e amigo de Bolsonaro, para o comando da Polícia Federal.
Bolsonaro disse que, mesmo "chateado", cumpriu a determinação judicial. De acordo com o mandatário, ele "não engoliu" a decisão e cobrou de Moraes uma resposta rápida a fim de que o governo possa definir um eventual substituto final para o cargo de diretor-geral da PF.
Como a determinação do Supremo é liminar, isto é, ainda não tem efeito definitivo, o assunto será analisado e julgado pela Corte no decorrer da ação que questiona a escolha de Ramagem. Representante do Executivo, a AGU (Advocacia-Geral da União) vai recorrer da decisão por ordem de Bolsonaro.
Como a guerra ainda não foi perdida, e sim apenas a batalha inicial, Bolsonaro quer celeridade para saber se, ao fim do rito processual, será realmente obrigado a desistir de nomear o amigo pessoal.
"A AGU [Advocacia-Geral da União] vai recorrer. Espero que [a decisão final] seja tão rápida quanto a liminar. No mínimo, espero do senhor Alexandre de Moraes rapidez para a gente tomar providências."
Amizade de Moraes com Temer
A relação entre Bolsonaro e Ramagem é o principal argumento no veto à nomeação, pois, segundo entendimento parcial, estaria em desacordo com o princípio da impessoalidade, fundamental ao serviço público.
Para o presidente, no entanto, "não justifica a questão da impessoalidade". "Como é que o senhor Alexandre de Moraes foi para o Supremo? Amizade com o senhor Michel Temer. Ou não foi?", questionou ele ao deixar o Palácio da Alvorada na manhã de hoje para viajar a Porto Alegre, onde cumprirá agenda oficial ao longo do dia.
Além de ter atuado como segurança de Bolsonaro após a eleição de 2018, Ramagem é próximo à família e foi fotografado ao lado de Carlos Bolsonaro, filho do presidente e vereador pelo Republicanos no Rio de Janeiro, no Réveillon deste ano.
Dizendo que não engoliu a determinação, Bolsonaro disse que o Brasil "quase" viveu uma crise institucional ontem.
"Tirar em uma canetada, desautorizar o presidente da República dizendo em impessoalidade...ontem quase tivemos uma crise institucional, quase, faltou pouco. Apelo a todos que respeitem a Constituição. Não engoli ainda essa decisão do senhor Alexandre de Moraes.".
O presidente ainda questionou se Moraes iria "dar uma canetada" para tirar Ramagem do cargo que já ocupava na Abin (Agência Brasileira de Inteligência). O delegado voltou ao posto depois que a nomeação ao comando da PF foi barrada pela Justiça.
"Tenho outros nomes, vou entrar em contato. A gente quer que a Polícia Federal faça seu trabalho sem interferência. Quero o mais rápido possível dar tranquilidade para a Polícia Federal trabalhar."
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