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Bolsonaro pretende tornar Sérgio Moro inelegível

O ex-ministro, diferentemente de um adversário de esquerda, racha a base do presidente. Planalto quer desidratar o adversário.

03/06/2020 às 14h41 Atualizada em 03/06/2020 às 14h47
Por: Redação RI Fonte: blog da Andréia Sadi
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Bolsonaro e Moro
Bolsonaro e Moro

Parlamentares que acompanham o duelo entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro avaliaram nesta quarta-feira (3) ao blog que o projeto do governo é inviabilizar a carreira política do ex-ministro da Justiça, com foco na eleição presidencial de 2022.

Moro, diferentemente de um adversário de esquerda, racha a base de Bolsonaro — por isso, o presidente prefere antagonizar com Lula, por exemplo.

Porém, desde que saiu do governo e passou para o lado de inimigos de Bolsonaro, Moro virou pré-candidato à Presidência em 2022. O Planalto tem certeza de que o ex-ministro quer suceder Bolsonaro no Planalto e, por isso, quer desidratar o adversário.

O próprio entorno de Moro acredita que há uma "vingança" de Bolsonaro.

Chamou atenção de aliados de Moro a retomada de negociação pela procuradoria-geral da República (PGR) de delação premiada de Tecla Duran, como publicou o jornal "O Globo" nesta quarta. A PGR é órgão autônomo, mas a coincidência, para os aliados de Moro, não é gratuita. A delação havia sido arquivada em 2018. Segundo o jornal, no início de maio, após a saída de Moro do governo, foi assinado um termo de confidencialidade para formalizar a fase preliminar das tratativas de acordo.

Em nota divulgada nesta quarta, após a reportagem de "O Globo", Moro disse que os relatos de Duran sobre a "suposta extorsão que teria sofrido" na Lava Jato, com envolvimento de um amigo pessoal seu, Carlos Zucolotto Jr., já foram investigados na PGR e arquivados. Moro afirma que o relato "não verdadeiro" prestado por acusado foragido teve destino "apropriado": o arquivamento.

O ex-ministro da Justiça diz na nota que lhe causou "perplexidade e indignação" que a investigação arquivada tenha sido retomada pela gestão atual da PGR, que é comandada por Augusto Aras.

Segundo o blog apurou junto a fontes da PGR, há 90 dias as conversas entre a PGR e Duran foram retomadas. Nos bastidores, Aras rechaça insinuações de que o Ministério Público estaria à disposição de Bolsonaro para se vingar de Moro — e que jamais permitiria o uso político da instituição.

Já interlocutores de Moro não descartam, inclusive, que ele vire alvo de buscas, o que classificam como uma operação para desconstruir a sua imagem de símbolo de combate à corrupção.

Por isso, senadores que acompanham os lances e avanços da guerra entre Bolsonaro e Moro avaliam que o projeto Bolsonaro é tornar Moro inelegível em 2022.

Para isso, por exemplo, Moro precisaria ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Ou seja, condenado por órgão colegiado.

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