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O que Hélio Negão tem a ver com o indicado para o STF

O nome de Kássio Nunes caiu bem entre políticos, especialmente os do Centrão ligados ao senador Ciro Nogueira.

01/10/2020 às 15h21
Por: Redação RI Fonte: Coluna da Thaís Oyama
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Hélio Lopes e Jair Bolsonaro: amigos há mais de 30 anos - Imagem: Reprodução
Hélio Lopes e Jair Bolsonaro: amigos há mais de 30 anos - Imagem: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro conheceu o desembargador Kássio Nunes há dois meses apenas.

O agora favorito do presidente para a vaga do ministro Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal lhe foi apresentado pelo deputado Hélio Lopes. Conhecido como Hélio Negão, o deputado é amigo do ex-capitão há mais de trinta anos e tão próximo dele e seus filhos que foi a única pessoa fora da família autorizada a entrar no Centro de Terapia Intensiva quando Bolsonaro sofreu o atentado a faca, em setembro de 2018.

Lopes conheceu Kássio Nunes por meio do advogado Edvaldo Nilo.

Nilo, que é também procurador do Distrito Federal no Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais, costuma auxiliar o deputado em questões jurídicas. Em junho, Hélio Lopes pediu-lhe que assumisse o processo que o youtuber Felipe Neto moveu contra ele. Neto acusa Lopes de ter associado seu nome ao crime de pedofilia num vídeo compartilhado pelo parlamentar na internet.

Nilo, baiano, foi quem apresentou o piauiense Kássio Nunes a Lopes. O deputado achou que o desembargador compartilhava dos mesmos valores conservadores que ele e Bolsonaro e, num sábado no final de julho, levou-o ao Alvorada para conhecer o presidente. Sugeriu que Bolsonaro o indicasse para a vaga do ministro Napoleão Nunes Maia Filho no STJ.

Na última terça-feira à noite, Bolsonaro telefonou para Lopes pedindo que fosse ao Alvorada. Disse que chamaria Nunes também.

Foi só ao chegar lá que o deputado soube da intenção de Bolsonaro de indicar o seu amigo para o STF. Da mesma forma, desconheciam os propósitos do ex-capitão os seus mais próximos colaboradores no Planalto. "O presidente deu um passa-moleque em todo mundo", disse um assessor palaciano.

O nome de Kássio Nunes caiu bem entre políticos, especialmente os do Centrão ligados ao senador Ciro Nogueira. Do Piauí, como Nunes, Nogueira apadrinhou alegremente a indicação do desembargador. Já as redes sociais estrilaram: a atuação de Nunes no barulhento caso da licitação do STF que exigia lagostas e vinhos premiados para o bufê da Corte não contribuiu para lustrar a biografia do magistrado, na opinião, inclusive, de bolsonaristas.

No episódio, ocorrido em maio do no ano passado, Nunes, contrariando liminar de uma juíza que suspendeu a licitação por achá-la "destoante da realidade brasileira", decidiu por liberar o luxo. "A mim não me parece que a impugnada licitação se apresente lesiva à moralidade administrativa", escreveu o desembargador.

Notícias dão conta que ministros do STF receberam muito bem o seu nome.

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