
Políticos de oposição criticaram o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pela mensagem na qual disse que "ganhou" do governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), com a suspensão dos testes da Coronavac pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O imunizante contra a covid-19 é desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, e a Anvisa suspendeu ontem seus testes clínicos após um "evento adverso grave" registrado no dia 29 de outubro.
Para Ciro Gomes (PDT), que concorreu às eleições presidenciais de 2018, "cadeia é muito pouco para canalhas que fazem politicagem com vacina".
Já o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), disse que Bolsonaro "continua a ser o maior aliado do coronavírus" no Brasil.
O PSDB emitiu nota dizendo que "a atitude do presidente é mais uma prova de que coloca suas pretensões políticas acima de todos e realmente não se importa com a vida dos brasileiros".
As reações ocorrem após interação de Bolsonaro nas redes sociais em um post sobre ações de seu governo no combate à covid-19. Um usuário perguntou se o Brasil poderia comprar e produzir a vacina. Em resposta, o presidente citou três dos efeitos listados hipoteticamente pela Anvisa e ainda recordou uma de suas desavenças com Doria, sobre a obrigatoriedade ou não dos imunizantes.
"Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O Presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha", escreveu.
A Anvisa não informou qual foi o problema relatado, mas listou que entre possíveis "eventos graves" estão reações sérias, morte, anomalia e internações prolongadas.
A suspensão dos testes é uma prática comum para esclarecimentos quando um efeito adverso grave é detectado. Outros testes de vacinas contra o coronavírus, como a desenvolvida em parceria entre a Universidade de Oxford e o laboratório sueco Astrozeneca, também já passaram por breves interrupções por eventos similares e foram retomados.
Na nota emitida na noite de ontem, a Anvisa citou todos os efeitos adversos graves previstos para a interrupção dos testes, mas não especificou qual foi verificado no caso em questão. Só uma investigação médica indicará se existe alguma relação com o imunizante.
O diretor do instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou tratar-se de um óbito sem qualquer relação com os testes do imunizante.
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