
O presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do Estado do Piauí (Senatepi), Erick Ricelly, afirmou ao OitoMeia recorrerá a decisão da Justiça que declarou ilegalidade e suspendeu a paralisação da categoria que estava marcada para esta sexta-feira (05) e seguiria até domingo (07). Ricelly criticou a liminar concedida pelo desembargador Hilo de Almeida Sousa e falou em falta de direcionamento por parte do poder municipal para resolução do impasse.
Erick Ricelly confirmou que a categoria seguirá o que consta no documento e cancelou o movimento. No entanto, frisou que diversos profissionais continuarão de braços cruzados. O motivo é falta de dinheiro. A greve de motoristas de cobradores, que já dura há quase um mês, tem respingos em todo o mercado de trabalho da capital, inclusive, em setores da Saúde. Segundo Ricelly, servidores – a exemplo aqueles que estão no nível médio – dependem do transporte municipal e por conta dos cortes salariais estão sem ter o mínimo de dinheiro para poder chegar aos postos de trabalho. Assim, segundo ele, a paralisação segue de forma indireta.
“Não fomos notificados ainda, mas resolvemos suspender a paralisação, para mostrar um outro lado do que estamos denunciando na nossa manifestação. Todos os hospitais estão desfalcados desde terça-feira, pois sem os pagamentos, os profissionais não tem condições de se deslocar para o trabalho. São profissionais de nível médio e que dependem do transporte público”, pontuou. “Esse remanejamento que estão fazendo, tirando profissionais de um setor para tentar deslocar essas pessoas para UTIs, é por conta desta situação que está ai”, acrescentou.
Na liminar, concedida após pedido da assessoria jurídica da Prefeitura de Teresina, o magistrado escreveu “não parece proporcional afastar o direito à saúde em razão do direito de greve” e considerou que a interrupção do serviços resultariam em “prejuízo irreparável à coletividade”, ou seja a perda de vidas. Na avaliação do sindicato, o entendimento do desembargador “complicou ainda mais a situação”. Para a categoria, a solução viável no momento seria um dissídio coletivo. Em nota, o sindicato também questionou rapidez em que a liminar foi concedida.
À reportagem, o presidente do sindicato ainda fez uma revelação: o sistema de Saúde da capital estaria enfrentando desfalque de profissionais para o setor da Covid-19 desde a terça-feira (02). De acordo com ele, na data de quatro profissionais de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no setor Covid do Hospital de Urgência de Teresina (HUT), apenas um conseguiu chegar até a unidade. Segundo ele, a categoria teme que a situação desencadeie um colapso na rede de saúde de Teresina.
“É uma situação delicada, que o judiciário também tem que estar atendo. Hoje temos uma audiência com o MP, justamente devido a falta de um direcionamento para resolver o problema. Suspender a paralisação não resolve. Não faz com que o trabalhador trabalhe. A nossa preocupação é que a Saúde de Teresina entre em colapso nos próximos dias. E essa situação pode acontecer devido essa falta de dinheiro”, avaliou.
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