
O empresário Afrânio Euclides Sousa afirmou, durante depoimento para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Público de Teresina, que desde 2014 as empresas de ônibus vivem um déficit de arrecadação.
De acordo com o gestor representante da EMVIPI, empresa que integra o Consórcio Poty, desde então o valor arrecadado com as passagens não paga os custos do serviço, sendo necessário o subsídio pago pela prefeitura para manter o valor da tarifa estipulada pelo poder público municipal.
"O que rende na borboleta, na catraca, não paga o diesel", declarou o empresário durante o depoimento.
Afrânio Sousa relatou que desde 2014, com a implantação da integração, passaram a existir "forças" que o obrigaram a trabalhar para fazer a quantidade passageiros para manter a empresa.
"Se essa quantidade não bater, a prefeitura tem que repor. Se essa quantidade passar do limite, eu que tenho que devolver para a prefeitura", explicou.
Contudo, ao ser questionado pelo presidente da CPI, Afrânio informou que nunca precisou "devolver" dinheiro para a PMT. O empresário disse não soube informar uma média de quanto a empresa recebia por mês da prefeitura.
Segundo ele, desde 2014 foram feitos acordos com a PMT para os repasses. "Nunca houve pagamento normal, mês a mês. Nunca pagou em dia. Sempre deixou o bolo crescer, fazia um acordo judicial e pagava as parcelas desse acordo", declarou.
De acordo com o empresário, enquanto pagava as parcelas do acordo, a prefeitura voltava a atrasar o subsídio, acumulando novamente um montante do valor a ser repassado. "Se a gestão fizesse normalmente o pagamento as empresas estariam em uma situação melhor", afirmou.
Questionado sobre o cumprimento dos requisitos do edital, o gestor relatou que pela licitação de 2014 a prefeitura deveria ter começado o pagamento dos subsídio em 2015, mas que só iniciou os repasses após um acordo judicial em 2017.
"Dois anos sofrendo sem recurso e a prefeitura fez o primeiro acordo, depois atrasou de novo e fez o segundo", afirmou. Durante o depoimento, Afrânio Sousa contou que foram firmados pelo menos quatro acordos judiciais com a prefeitura desde então.
"Quem vive no atraso não consegue fazer tudo que está no edital. Não consegue. Por que a prefeitura não fez o contrário? Não fez sua obrigação e depois me obrigou a fazer a minha? Por que eu só tenho que fazer a minha e ela não?", questionou.
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