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Falta de apoio distancia ataques de Bolsonaro de comparação com 1964

A movimentação que culminou com o golpe de 31 de março de 1964, porém, começou bem antes e envolveu militares, políticos, setores sociais e até o governo dos Estados Unidos. Juntos, eles retiraram do poder o então presidente João Goulart.

04/09/2021 às 11h36
Por: Redação RI Fonte: Uol
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Falta de apoio distancia ataques de Bolsonaro de comparação com 1964

O Brasil viveu um dos momentos mais tenebrosos de sua história recente com a ditadura militar. Durou 21 anos, entre 1964 e 1985. A movimentação que culminou com o golpe de 31 de março de 1964, porém, começou bem antes e envolveu militares, políticos, setores sociais e até o governo dos Estados Unidos. Juntos, eles retiraram do poder o então presidente João Goulart.

Desde a redemocratização, o tema da ruptura institucional nunca esteve tão em alta como agora, durante o governo Jair Bolsonaro (sem partido). O presidente tem feito reiteradas ameaças golpistas. Ontem, por exemplo, atacou instituições como o STF (Supremo Tribunal Federal) e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Ele e seus apoiadores também já trataram da possibilidade de uma nova intervenção militar, justificando as falas com o artigo 142 da Constituição de 1988 —que não dá às Forças Armadas a função de atuar como moderador dos outros Poderes.

Mas há semelhanças entre os momentos que antecederam o golpe de 1964 com a tensão vivida atualmente?

Personagens históricos e pesquisadores ouvidos pelo UOL afirmam ver diferenças marcantes entre os dois momentos. "Não acho que haja qualquer semelhança", resume o historiador e escritor Carlos Fico, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

 

Contextos diferentes

 

O contexto mundial da época é fundamental para entender os dois momentos. Em 1964, o principal discurso dos articulistas do golpe era afastar o país de uma "ameaça comunista". Em tese, o golpe iria conduzir o país para eleições presidenciais em 1965 —mas, na verdade, isso só voltou a ocorrer muito tempo depois, em 1989.

Naqueles anos, o planeta vivia uma divisão entre o mundo capitalista, comandados pelos EUA, e o bloco comunista, capitaneado pela União Soviética. A revolução comunista de Cuba, em 1959, elevou a tensão no continente e abriu os olhos do governo americano para a região.

"Naquele período, havia uma uma conspiração a partir de Washington. Finalmente, entre o final de março e abril, o capital imperialista dos Estados Unidos consegue se unir à direção das Forças Armadas brasileira, mas com apoio da grande imprensa, grande parte do Parlamento e da cúpula da igreja também", afirma Edival Nunes Cajá, sociólogo, ex-preso político, presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa e coordenador do Comitê Memória Verdade e Justiça para a Democracia de Pernambuco.

Hoje, diz, não há um apoio parecido dos grandes setores sociais. Além disso, ele lembra que os "recados" e ameaças feitas eram sempre mais duras.

Essas ameaças de hoje de Bolsonaro não passam de blefe para intimidar a oposição e o movimento popular que começou a ir às ruas. Naquela época, essa era uma possibilidade real." Edival Nunes Cajá, sociólogo e ex-preso político

 

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