
O julgamento do ex-capitão da Polícia Militar, capitão Allison Wattson da Silva Nascimento, acusado de matar a estudante de direito, Camilla Pereira de Abreu, de 21 anos, em outubro de 2017 acontece nesta sexta-feira (24), na 2ª Vara do Tribunal do Júri. O ex-oficial militar era namorado da vítima e confessou o crime na época.
A primeira testemunha a ser ouvida no julgamento foi Luana Regina de Sousa, que era amiga de Camilla, a última a ter contato com a vítima antes do crime.
O advogado de defesa do ex-namorado de Camilla, Francisco de Assis Silva, pediu que a testemunha não fosse ouvida alegando que ela tinha “amizade íntima” com a vítima. Mas, o pedido foi indeferido pela juíza Maria Zilnar Coutinho.
Luana começou a ser ouvida falando dos últimos momentos que esteve com Camilla antes de seu desaparecimento e depois contou como era o relacionamento entre a vítima e acusado. Ela afirmou que o relacionamento durou cerca de dez meses e antes dela morrer, o namoro era abusivo, com agressões físicas e psicológicas.
O júri acontece no Fórum Cívil e Criminal a partir das 9h, pela 2ª Vara do Tribunal do Júri, comandando pela juíza Maria Zilnar Coutinho. O promotor do caso é João Benigno Filho, que tem como assistente as advogadas de acusação Ravenna Castro e Carla Oliveira. Na defesa do réu estão os advogados Francisco de Assis Silva e Daniella Carla Gomes Freitas.
A família não acompanha o julgamento de forma presencial, mas foram ao tribunal como forma de protesto contra feminicídios.
O pai da vítima, Jean Carlos Abreu, disse que espera que o acusado seja condenado com a pena máxima. “Tenho certeza que ele sai antes e vai ficar solto, mas ela é quem está presa, não sai mais”, afirmou. Camilla hoje teria 26 anos.
Como aconteceu
O então capitão da Polícia Militar, Allison Wattson, namorou a estudante de direito Camilla Abreu por cerca de dez meses, entre términos e retornos. Amigas da estudante relataram, à época do crime, que o réu tinha comportamento “agressivo” e era extremamente ciumento e possessivo.
Na noite do dia 25 de outubro, ele foi a última pessoa que esteve com Camilla e somente cinco dias depois confessou que a matou, com um tiro na cabeça, dentro do carro dele e enterrou o corpo em um lixão no povoado Mucuim, zona rural de Teresina. O desaparecimento de Camilla chegou a ser registrado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e a polícia passou a investigar. Durante os cinco dias que a família procurou a estudante, o policial alegava que a tinha deixado na casa do pai, depois de saírem e não a viu mais.
Allison foi preso ao confessar o crime, mostrar onde estava o corpo. No início das investigações, ele chegou a dizer que o tiro havia sido acidental, mas o laudo pericial descartou a possibilidade. Ele foi preso em flagrante e um dia depois a prisão foi convertida em preventiva.
O então capitão ficou em um presídio militar até perder a patente e ser expulso da Polícia Militar em fevereiro de 2019. Depois, ele foi transferido para a penitenciária Irmão Guido, onde está até hoje.
Durante a apuração feita pela Polícia Civil indiciou o namorado da vítima por três crimes: feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual. A perícia constatou ainda que Camilla foi agredida antes de ser morta com o tiro na cabeça. A audiência de instrução e julgamento realizada em fevereiro de 2018 decidiu que o caso seria julgado por júri popular.
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