
Os passageiros do transporte público de Teresina estão enfrentando dificuldades para se locomover na cidade desde segunda-feira (13), quando os motoristas e cobradores de ônibus iniciaram uma greve por tempo indeterminado.
A categoria reivindica o pagamento dos salários atrasados há mais de 40 dias, o reajuste salarial de 18%, o aumento do auxílio-alimentação para R$ 600 e a melhoria da assistência à saúde. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários no Estado (Sintetro), os trabalhadores também estão insatisfeitos com as condições precárias dos ônibus e com a falta de segurança nas linhas.
Do outro lado, o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) alega que não tem recursos para atender às demandas dos trabalhadores e que depende do repasse da Prefeitura de Teresina para quitar os débitos. O Setut afirma que a crise do transporte público na capital se arrasta desde 2017, quando houve uma redução da frota e do número de passageiros por causa da pandemia da Covid-19.
Para tentar minimizar os transtornos causados pela greve, a Prefeitura de Teresina cadastrou 100 veículos alternativos para suprir a demanda durante o movimento trabalhista. No entanto, os passageiros reclamam que os veículos são insuficientes, desconfortáveis e caros. Além disso, a Prefeitura foi acusada pelo Sintetro de contratar fura-greves para operar os ônibus sem respeitar as normas sanitárias e trabalhistas.
Nessa terça-feira (14), o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Téssio da Silva Torres, determinou que 100% da frota de ônibus deve circular nos horários de pico e 80% nos demais horários em Teresina. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários no Estado (Sintetro), Antônio Cardoso, afirma não ter recebido nenhuma notificação sobre o assunto, e questionou a imparcialidade do desembargador.
“Primeiro o desembargador tem que saber o percentual de 100% de que. Não somos nós que fazemos as escalas, a escala é feita pela Strans que determina que o Setut coloque 250 ônibus para rodar, que eles nunca botaram. Então quem tá descumprindo é o próprio SETUT. Eu quero saber se o desembargador trabalha sem receber. Nós estamos sendo escravizados em Teresina, então tem que ser imparcial”, afirmou o presidente do Sindicato.
Por conta disso, os ônibus de Teresina amanheceram parados dentro das garagens, que resultou em paradas lotadas e trabalhadores que esperaram horas por um transporte alternativo.
Até o momento, não há previsão de uma solução para o impasse entre os sindicatos e a Prefeitura. Enquanto isso, milhares de passageiros continuam sofrendo com a falta de transporte público em Teresina.