
A Operação Integrada com as forças de segurança do Piauí prendeu onze pessoas na manhã desta terça-feira (18), em Teresina. Destas, seis são suspeitas de participação nos incêndios de cinco ônibus. Outras cinco pessoas foram presas por cumprimento de mandados de prisão. O objetivo da ação foi combater as reações das facções depois que foram mortos dois homens, suspeitos de estarem envolvidos na tentativa de assalto contra o coronel da Polícia Militar, Maurício de Lacerda.
As informações foram dadas durante entrevista coletiva na Secretaria de Segurança Pública do Piauí nesta terça-feira (18) contabilizando o balanço.
Além das prisões, as polícias apreenderam carros roubados, drogas, armas de fogo e galões de combustível que teria sido usado para iniciar o incêndio nos ônibus. Entre os veículos, está o carro que teria sido utilizado na tentativa de assalto ao coronel Maurício de Lacerda.
Segundo o delegado Anchieta Nery, ainda não foram presos todos os envolvidos nos incêndios, mas a polícia afirma já ter a identificação dos suspeitos. Alguns deles teriam fugido de Teresina ainda durante a noite de segunda-feira (17) depois dos incêndios, mas estão sendo monitorados.
Segundo o secretário de Segurança, Chico Lucas, o incêndio aos ônibus é considerado uma reação às ações da Secretaria de Segurança e também à ação da polícia militar que matou dois suspeitos de envolvimento na tentativa de homicídio contra o coronel Lacerda, mas afirmou que não havia um planejamento dos criminosos para fazer incêndios. Ainda segundo ele, não foram identificados planos para outras ações semelhantes.
"Essa reação já era esperada por nós. Sabíamos que conforme intensificássemos o combate a essas facções eles tentariam articular ações para amedrontar a população [...] O que eles tentaram foi emular ações que aconteceram em outros estados. [...] Essas ações não partiram de presídios, mas de um bando que atua na Vila Mocambinho" disse o secretário
O delegado Charles Pessoa, coordenador do Departamento de Combate a Organizações Criminosas (Draco), disse que já havia um planejamento dos policiais para uma operação na Vila Mocambinho. Essa operação foi antecipada para esta terça, em virtude dos incêndios nos ônibus.
O delegado Anchieta Nery, da Gerência de Inteligência da Polícia Civil, informou que as ações na região devem continuar para afastar facções de locais como a Vila Mocambinho.
A Polícia Civil deve ainda fazer um trabalho, com apoio da Prefeitura, para apagar pichações relacionadas às facções. O delegado disse que o objetivo é "devolver os espaços públicos aos cidadãos".
"Hoje as pessoas não frequentam mais as ruas, as praças da cidade. Essas pichações assustam quem mora nos locais e quem chega. É uma tentativa de tomada de território, mas não há uma rua no Piauí onde uma viatura da polícia não possa entrar", destacou.
Incêndio dos ônibus
Cinco ônibus foram incendiados na noite desta segunda-feira (17) na Vila Mocambinho, Zona Norte e no bairro Pedra Mole, zona Leste de Teresina. Os veículos teriam sido incendiados em represália contra a morte de dois homens durante troca de tiros com policiais militares na capital.
Entenda o caso
José Nilton de Sousa e Samuel Magno, ambos de 27 anos, morreram na tarde desta segunda-feira (17) foram mortos durante troca de tiros com a PM. Segundo o diretor de Inteligência da PM-PI, coronel Jacks Galvão, os policiais estavam em diligência quando os suspeitos atiraram contra a guarnição. Durante a ação, os dois homens foram baleados e não resistiram, morrendo no local.
Os corpos foram colocados na carroceria da viatura e encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML). Familiares dos dois mortos foram até o local e reclamaram da ação policial.
A mãe de José Nilton, Raimunda Maria, declarou que o filho não era criminoso e sabe o motivo pelo qual ele estava na rua onde houve o confronto com os policiais.

Mín. 23° Máx. 36°