
O vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Piauí (Sinduscon-PI), Sérgio Pontual, confirmou que o Centro de Teresina deverá receber mais dois empreendimentos habitacionais, além do projeto já previsto para a Praça Saraiva. Segundo ele, os novos residenciais fazem parte da estratégia de revitalização da região central e devem atender diferentes faixas do programa Minha Casa, Minha Vida.
Os empreendimentos ficarão próximos a praça Pedro II, um inclusive próximo ao Karnak. Os empreendimentos estão em fase de licenciamento junto a Prefeitura.
Em entrevista, Pontual afirmou que o Sinduscon participa das discussões conduzidas pela Prefeitura de Teresina para fortalecer o Centro da capital e destacou que a habitação é um dos principais pilares para recuperar a dinâmica econômica e social da região
"Já tem alguns incentivos para habitação no Centro. Anda mais lento do que a gente gostaria, mas os diálogos estão sempre abertos. Não temos só esse empreendimento da Praça Saraiva. Temos três empreendimentos em breve lançamento no Centro, seja da Faixa 1, seja da Faixa 2, já com essa visão", afirmou.
De acordo com o dirigente, o Centro reúne infraestrutura pronta, como rede de água, esgoto, transporte público, escolas e comércio, fatores que reduzem custos para as construtoras e melhoram a qualidade de vida dos futuros moradores.
"Para o construtor e para o cliente é muito vantajoso ter um produto no Centro. Existe toda a infraestrutura instalada e um número muito grande de pessoas que trabalha na região e perde mais de uma hora por dia no deslocamento. Morando no Centro, essa pessoa pode ganhar duas ou três horas de qualidade de vida diariamente", destacou.
Pontual afirmou ainda que o Sinduscon apresentou à Prefeitura experiências bem-sucedidas de revitalização urbana adotadas em cidades como Recife, Salvador e Belo Horizonte.
"A gente participou de várias reuniões trazendo experiências que vimos em outras cidades. São vários pilares que precisam ser trabalhados para revitalizar o Centro, como turismo, comércio, segurança e habitação. Recife é um grande exemplo. O Centro estava abandonado e hoje conta com hotéis novos, centro de convenções e voltou a ser uma área bastante movimentada."
Alta nos custos
Durante a entrevista, Sérgio Pontual também demonstrou preocupação com a proposta de redução da jornada semanal de trabalho no Brasil, tema que acompanha o debate sobre o fim da escala 6x1.
Segundo ele, o principal impacto para a construção civil não está na mudança da escala, mas na diminuição da carga horária semanal.
"O mais preocupante não é a questão da escala em si. Aqui no setor da construção já trabalhamos em uma escala 5x2. O problema é a redução da jornada. A proposta inicial reduz quatro horas semanais e isso deve impactar bastante o setor."
Com base em estudos elaborados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o dirigente estima que a medida poderá elevar em cerca de 10% os custos das obras.
"Os estudos apontam um acréscimo de pelo menos 10% no custo da construção. Isso naturalmente acaba chegando ao consumidor final, porque aumenta o custo da mão de obra e da produção."
Pontual ressaltou que o setor acompanha as discussões no Congresso Nacional e defende que eventuais mudanças sejam precedidas por estudos técnicos para evitar impactos sobre o mercado imobiliário, os investimentos e o preço dos imóveis.