
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a regulamentação das plataformas digitais e prometeu mudanças na comunicação do governo durante o discurso de vitória neste domingo (25). Reeleito com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o petista afirmou que a campanha evidenciou a necessidade de combater a desinformação e a influência de empresas de tecnologia no processo eleitoral.
"A gente teve que vencer a intromissão de fora para dentro através de plataformas digitais, que vamos ter que regular", declarou Lula.
O presidente também criticou empresas que, segundo ele, lucram bilhões sem pagar impostos ao país e tentam influenciar o resultado das eleições.
“Não é possível que a gente não tenha consciência de que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual o crime na vida real”, declarou Lula.
A regulamentação das redes sociais foi um dos temas centrais da campanha, marcada por disputas sobre a distribuição de conteúdos políticos e o funcionamento de ferramentas de inteligência artificial.
A campanha petista chegou a questionar a atuação da Meta, responsável por Instagram, Facebook e WhatsApp, por supostas restrições a publicações favoráveis ao candidato. A empresa negou favorecimento deliberado.
Lula promete ampliar comunicação digital
Durante o discurso, o presidente afirmou que pretende conversar diretamente com a população com mais frequência e dar maior espaço à comunicação digital no próximo mandato. Segundo ele, a experiência da campanha trouxe lições sobre a necessidade de aproximar o governo dos eleitores.
“Eu vou dizer o que eu penso, o que eu faço”, afirmou Lula, ao criticar a dependência da imprensa para transmitir suas declarações. O petista também agradeceu ao deputado André Janones (Rede-MG), que coordenou mobilizações digitais de apoiadores durante a disputa.
A estratégia ganhou força após Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro. Entre as iniciativas estavam vídeos gravados em formato selfie e a mobilização pelo canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que reuniu mais de 10 milhões de seguidores ao fim da campanha.
Lula também afirmou que pretende governar para todos os brasileiros, independentemente de posicionamento político, e se comprometeu a fazer o melhor mandato de sua trajetória. Com a vitória, tornou-se o primeiro presidente brasileiro eleito para quatro mandatos e o primeiro candidato a vencer o segundo turno após terminar a primeira etapa da disputa em segundo lugar.
Durante o discurso da vitória, Lula classificou o resultado eleitoral como uma “derrota do negacionismo” e da mentira. O presidente também afirmou que pretende mudar a maneira de governar e ampliar a participação popular nas decisões da administração federal.
Segundo Lula, o próximo mandato terá mais diálogo com diferentes setores da sociedade, incluindo empresários, educadores, cientistas e mulheres.
O presidente também destacou a segurança pública entre as prioridades do novo governo. Ele defendeu uma atuação mais ampla da União no enfrentamento à criminalidade e afirmou que os estados não conseguem lidar sozinhos com o problema.
“O governo federal nunca teve responsabilidade com segurança pública, porque a Constituição de 88 transferiu toda a responsabilidade para os estados. Agora está provado que os estados não dão conta”, declarou.
Fiquei constrangido de enfrentar milicianismo, diz Lula
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que ficou constrangido ao debater com um “representante genuíno do milicianismo deste país” durante a corrida presidencial. Em discurso após a vitória nas urnas, neste domingo (25), o petista criticou Flávio Bolsonaro e acusou-o de mentir com “desfaçatez” e classificou o resultado eleitoral como uma derrota do negacionismo.
“Eu já debati com muita gente, já participei de muitas eleições, me reuni todo ano com os principais presidentes do mundo, mas eu nunca pensei em me deparar com um representante genuíno do milicianismo deste país”, declarou Lula.
Apesar da acusação, Flávio Bolsonaro nega ter relações grupos milicianos e chegou a prometer, durante a campanha presidencial, que iria classificar as milícias como organização narcoterrorista.
Presidente afirma que governará para todos
O petista agradeceu aos eleitores e aos aliados, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), e afirmou que pretende dialogar com empresários, educadores e cientistas antes de iniciar o novo mandato.
Apesar de reconhecer os desafios de negociar com um Congresso Nacional mais conservador, Lula disse que buscará acordos para aprovar suas propostas.
“Na medida que a gente ganha as eleições, a gente não tem mais adversário”, afirmou, ao defender um governo voltado para toda a população brasileira.
“É com ele que vou trabalhar”, diz Lula sobre Congresso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que trabalhará em conjunto com o Congresso Nacional eleito, apesar de uma composição mais conservadora a partir de 2027. A fala foi dada após avaliações de que o novo formato do legislativo dificultará o novo mandato do petista.
“Já tem gente falando que terei dificuldade para governar porque o Congresso está mais conservador. Foi o povo que escolheu o Congresso. E é com ele que eu vou trabalhar e aprovar as coisas”, disse Lula.
"Se depender de mim, esse país só tem que ser civilizado, esse país tem uma Constituição. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos e ele foi eleito para governar com base no respeito à Constituição", acrescentou o presidente.
Reeleito para o quarto mandato, Lula encontrará um Congresso mais desafiador a partir de 2027, ano em que o Partido Liberal (PL) formará maioria tanto na Câmara como no Senado. Somando as duas Casas, a sigla chega a 150 parlamentares, 36 a mais do que em 2022.
Além disso, partidos de centro como PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e Novo declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. Juntas, as siglas somam 245 deputados e 51 senadores. O PT, por sua vez, ficará com 79 cadeiras no Congresso.
Essa composição tende a dificultar a aprovação de propostas de Lula, bem como derrubar eventuais vetos presidenciais. Para especialistas, o presidente deverá reconstruir sua base de apoio a partir de uma adesão dos parlamentares ao governo, negociando com diferentes partidos.
“A grande questão é que o Centrão vai ter que se posicionar. Ou vai se encostar ao governo para fazer uma frente ampla contra a oposição, ou em alguns momentos vai ser um pêndulo. Ou seja, hora tende a cair para a oposição dependendo da pauta e hora tende a voltar com o governo”, avalia o cientista político Elias Tavares.
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