
Mais de dois meses se passaram desde que a greve no transporte público de Teresina foi encerrada pelos trabalhadores, mas os usuários de ônibus coletivo na capital continuam sofrendo com o número reduzido de veículos em circulação pelas ruas da cidade.
A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) informou que nos últimos dois anos já aplicou mais de 3 mil multas ao empresários e a maioria por descumprimento de ordens de serviço, que determinam quantos ônibus devem circular. Isso representa 4 multas por dia.
Uma decisão do Tribunal de Justiça, do mês de maio, determina que 100% da frota circule nos horários de pico e 60% nos demais horários. Porém, usuários afirmam que isso não ocorre.
O Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina (Setut) para falar sobre o assunto, mas ainda não obteve retorno.
O estudante universitário César Gomes disse que passa duas horas esperando um ônibus para sair do grande Dirceu, zona Sudeste e chegar até a Universidade Federal do Piauí (UFPI) e que para retornar a demora é maior.
“Não tem horário fixo, fica variando e o pior mesmo é para voltar, porque a noite não passa ônibus lá. Cheguei aqui e parece que já tinha passado, porque fiquei duas horas e não passou. Perdi a aula de manhã”, destacou o estudante.
O advogado a Auditoria Popular do Transporte Público Municipal, Emerson Samuel, entidade que representa os usuários, denuncia que os consórcios descumprem as ordens de serviços da Strans constantemente e que há noite é o período de maior desrespeito.
“Há muitas linhas sem ônibus após às 19h e umas com um carro apenas circulando durante o dia”, afirmou.
Ele disse que vai provocar o Ministério Público a pedir a execução da multa de R$ 50 mil por descumprimento da medida judicial de maio.
"É uma decisão judicial, de uma instância superior, e este descumprimento é muito grave. Já não basta descumprir todos os contratos do serviço público de transporte de Teresina ainda descumprem uma decisão judicial”, destacou.
A Strans informou, através de nota, que as empresas descumprem as ordens de serviços e por isso não multadas, de acordo com o regulamento. A superintendência calcula que já foram aplicadas mais de três mil multas só nos últimos dois anos e que o valor das multas devem ser revertidas para melhorias do próprio sistema. Porém, na nota não relata qual o valor dessas multas e se elas são pagas realmente pagas pelas empresas.