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Faz papel de tolo quem acredita na retórica anti-reeleição de Flávio Bolsonaro

Declarou que, se chegar ao Planalto, seu mandato pode durar oito anos. A fala do candidato sugere que deverá esticar um mandato sem eleições. Importante lembrar que o pai do candidato cumpre cadeia por tentar dar um Golpe de Estado.

10/05/2026 às 08h18
Por: Redação RI Fonte: Coluna do Josias de Souza | Uol
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante evento de lançamento das pré-candidaturas do PL-SC, em Florianópolis | Imagem: Vitor Souza/AFP
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante evento de lançamento das pré-candidaturas do PL-SC, em Florianópolis | Imagem: Vitor Souza/AFP

Flávio Bolsonaro subiu no salto alto. De passagem por Santa Catarina, carbonizou a proposta de emenda constitucional apresentada por ele mesmo, prevendo o fim da reeleição. Declarou que, se chegar ao Planalto, seu mandato pode durar oito anos.

Discursando para uma plateia de empresários, o filho de Bolsonaro declarou: "O meu sonho, e o que eu vou realizar, é acabar o governo, seja daqui a quatro, daqui a cinco, daqui a oito anos, onde a gente vai poder bater o peito e falar: 'Menos pessoas dependem de políticos para levar comida para dentro de casa e levar dignidade para as suas famílias'."

Neste sábado, questionado sobre a afirmação feita na véspera, Flávio tentou se corrigir. Mas a emenda piorou o soneto, pois deixou evidente o desejo do candidato de esticar um mandato que ainda não obteve.

"Sou contra a reeleição", disse Flávio Bolsonaro. "Mas acho quatro anos muito pouco para um mandato só. [...] Vou trabalhar para que a PEC seja aprovada. Acredito que ela vai ser aprovada, mas convenhamos, quatro anos acho muito pouco para um mandato só, para tanta coisa que o Brasil precisa arrumar."

Originalmente, a emenda sobre o fim da reeleição foi apresentada pelo filho de Bolsonaro para engambelar Tarcísio de Freitas. A ideia era sinalizar para o aliado que, trocando o sonho presidencial pela reeleição ao governo de São Paulo, teria o apoio de Bolsonaro e seus devotos para concorrer ao Planalto em 2030.

Ficou entendido que faz papel de tolo quem acredita no conto da carochinha segundo o qual a família do "mito" preso passe a cultivar, de repente, uma noção qualquer de desapego pelo poder. O salto alto de Flávio Bolsonaro é o menor dos problemas. Alguma coisa subiu à cabeça do candidato. E não é nada que se pareça com bom senso.

Na sexta-feira, em entrevista à CNN, Flávio insinuou que o pai será uma espécie de eminência parda de sua eventual Presidência. "O Jair será sempre o meu norte, minha bússola, minha referência, a pessoa com quem eu me consulto. Se ele quiser exercer um cargo no meu governo, é óbvio que vai exercer." A declaração contém duas assombrações: além de pressupor a anistia de Bolsonaro, carrega a admissão de que ele pode voltar a dar as cartas no Planalto.

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